Desde o início do xadrez político que vem sendo desenhado pela pré-campanha ao Governo do Tocantins e aos cargos no Senado, Câmara e Assembleia Legislativa, o que se vê, ainda que proibido pela Justiça Eleitoral, é o pedido subliminar de votos. Mesmo que os pré-candidatos não peçam explicitamente “o vote em mim”, a presença deles não é proibida pela legislação.
E, com essa “brecha legislativa”, os pré-candidatos do Tocantins, e não apenas eles, pois este parece ser o comportamento país afora, têm deixado a formalidade dos paletós dar espaço para os jeans, botas, camisas sociais leves para irem ao encontro dos eleitores. Neste momento da pré-campanha, eles querem conquistar não só a simpatia do eleitor para chegarem fortalecidos nas convenções, que vão ocorrer entre 20 de julho e 5 de agosto, mas também dos possíveis financiadores de suas campanhas.
Neste vale-tudo da pré-campanha, os que buscam um cargo eletivo não pedem votos, mas pedem abraços; comem pastel e chambaril nas feiras livres; estão indo às principais exposições agropecuárias, como a Agrotins e as exposições de Gurupi, Paraíso e Araguaína, que acontece neste fim de semana de junho. Em todas, claro, participar da cavalgada é obrigatório.
Nesta maratona, ainda tiram selfies; realizam encontros; não perdem um aniversário de município e entrega de obras, especialmente aquelas as quais eles podem dizer “tem emenda minha aí”.
Para este mês de junho, a agenda promete ainda ser mais agitada. Travestidos de caipiras, eles vão percorrer os tradicionais festejos juninos no Tocantins (Arraiá da Capital, Arraiá de Gurupi e São João do Cerrado em Araguaína, apenas para citar os principais). Em seguida, trocarão o cenário dos arraiás para as areias da esperada “Temporada de Praia Tocantins 2026”.
Nos arraiás e nas praias, os pré-candidatos passam pelo crivo do eleitorado “mais gente como a gente”. No cardápio, forró arrasta-pé, pamonha, uma boa cachaça, peixe frito e cerveja gelada.
A peneira das convenções
E depois de todas essas agendas diversificadas (feiras, arraiás, praias), o cansaço não pode aparecer. Afinal, a jornada rumo à eleição apenas está no início. Com números de pesquisas partidárias internas, eles seguirão no mês de julho para a peneira das convenções partidárias e, se passarem por ela, terão pela frente pelo menos dois meses de campanha efetiva para aí sim conquistar o voto do eleitor.
O Calendário das Convenções
O prazo final para que essa exposição se converta em candidatura real está fixado entre os dias 20 de julho e 5 de agosto, período oficial determinado pela Justiça Eleitoral para a realização das Convenções Partidárias, onde as atas das chapas majoritárias e proporcionais são formalizadas e os nomes "peneirados" para o registro definitivo.
O que diz a Lei: o limite jurídico da pré-campanha
A movimentação intensa e estratégica dos pré-candidatos pelos eventos populares do Tocantins é respaldada por critérios rígidos da legislação brasileira. Entenda os principais pontos que regem esse período:
A Regra Geral (Proibição): De acordo com o Artigo 36 da Lei das Eleições (Lei nº 9.504/1997), a propaganda eleitoral oficial — onde são permitidos os pedidos de voto e a divulgação de números de urna — só começou a ser legalmente permitida a partir do dia 16 de agosto. Realizar tais atos antes desse prazo configura propaganda antecipada, sujeita a multas que variam de 5 mil a 25 mil reais.
A Permissão da "Presença" (A Brecha): O comportamento dos políticos nas feiras e praias é autorizado pelo Artigo 36-A da mesma Lei nº 9.504/1997. O texto estipula explicitamente que “não configuram propaganda eleitoral antecipada, desde que não envolvam pedido explícito de voto, a menção à pretensa candidatura, a exaltação das qualidades pessoais dos pré-candidatos”.
As "Palavras Mágicas" (Jurisprudência do TSE): O Tribunal Superior Eleitoral, por meio da Resolução TSE nº 23.610/2019, consolidou o entendimento de que o "pedido explícito" não se resume à frase literal "vote em mim". A Corte pune o uso de equivalentes semânticos (expressões disfarçadas como "precisamos caminhar juntos em outubro" ou "conto com seu apoio para a vitória"), o que obriga os políticos a refinarem o discurso subliminar nas abordagens públicas.
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