O hiato de quatro anos sem um dos principais equipamentos culturais do Tocantins chegou ao fim. Mais do que uma entrega estrutural, a revitalização e reabertura do Memorial Coluna Prestes e do Teatro de Bolso, na Praça dos Girassóis, representam um resgate direto da identidade e da história local.
A trajetória do território que hoje compreende o Tocantins se entrelaça com o movimento tenentista desde a revolta dos Dezoito do Forte de Copacabana, em 1922, e com a marcha de 25 mil quilômetros da Coluna Prestes pelo interior do país, entre 1924 e 1927. No antigo norte goiano, a passagem da Coluna em 1925 fincou raízes profundas na memória regional, décadas antes da conquista da autonomia do estado em 1988.
Essa memória segue perpetuada no Memorial, que foi reinaugurado na terça-feira, 16. A obra de revitalização foi executada pelo Governo do Estado, por meio da Secretaria de Estado da Cultura (Secult). A cerimônia contou com a presença do secretário Adolfo Bezerra; de representantes da classe artística, como o presidente do Conselho Estadual de Políticas Culturais, Elpídio de Paula; da presidente da Fundação Cultural de Palmas, Luara Aquino; e do deputado estadual Léo Barbosa (Republicanos).
Representando o governador Wanderlei Barbosa no ato, o deputado Léo Barbosa destacou a necessidade de preservar o patrimônio histórico da polarização ideológica, ressaltando que debates políticos não podem interferir no valor que o Memorial representa. “Este é um dos pontos turísticos de Palmas e do Tocantins, e nosso olhar para este espaço é de valorização integral, ao recuperá-lo por completo. Ele foi feito para acolher aqueles que fazem a cultura no Tocantins, que vivem da arte, da música e da poesia, além de representar parte da nossa história. Jamais podemos abrir mão dela. Estamos resgatando um espaço importante, onde as crianças poderão sair da escola para conhecer o local, realizar atividades educativas e percursos de aprendizagem. Não podemos negligenciar a importância disso.”
A estética da renomada arquitetura de Oscar Niemeyer foi rigorosamente preservada na revitalização do prédio, que estava em reformas desde novembro de 2024.
À reportagem do T1 Notícias, o cantor e compositor Dorivã Passarim celebrou o retorno do equipamento cultural para os artistas da região. “É um presente que nós recebemos. Ficamos nesse hiato desses 4 anos. Antes a gente já desenvolvia diversos projetos aqui no Teatro de Bolso, e agora estamos com o sonho de retomar não só a música, mas a literatura, a poesia, a dança, o teatro, enfim, além dos turistas que terão acesso a essa nova roupagem, preservando nossa história. Tendo em vista que hoje em dia as pessoas acessam tudo pelas redes sociais, aqui temos a história física, que você pode olhar, pode fotografar e conhecer de perto a história e as contribuições de Carlos Prestes e de seu ativismo, que versa sobre a história do nosso país, passando por aqui. Agora precisamos ocupar este espaço", convocou.
A obra de revitalização
Com investimento de um pouco mais de R$ 1,1 milhão por parte do Governo do Tocantins, a obra incluiu a recuperação estrutural do prédio, pintura interna e externa, revitalização das áreas externas, substituição completa do sistema elétrico, reconstrução do piso do pátio, manutenção do sistema de climatização e a reforma completa do Teatro de Bolso — incluindo palco, camarim e carpete.
A cerimônia de reabertura contou com apresentações culturais do cantor Fábio Conceição e da Orquestra Sinfônica de Cordas Vila União. As visitações já estão disponíveis ao público diariamente.
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