Faspra defenderá presidente da ABM em inquérito aberto pelo Comando dos Bombeiros

As denúncias de assédio sexual e moral no Corpo de Bombeiros foram expostas em pesquisa realizada em outubro deste ano pela Associação das Mulheres Policiais do Tocantins em outubro deste ano

Casos de assédio na corporação foram denunciados em outubro deste ano
Descrição: Casos de assédio na corporação foram denunciados em outubro deste ano Crédito: Divulgação

A Federação das Associações das Praças Militares (FRASPRA-TO) informou neste domingo, 23, que decidiu defender o presidente da Associação do Bombeiro Militar do Tocantins (ABM-TO), major Marinho, que foi indiciado pelo Comando do Corpo de Bombeiros do Tocantins por, supostamente, ter exposto a corporação e ter cometido desobediência ao divulgar os dados de uma pesquisa sobre assédio moral e sexual na corporação.

 

“A FRASPA-TO juntamente com a Associação de Mulheres Policias do Tocantins (AMP-TO), estiveram reunidos, na tarde de ontem com o procurador Geral de Justiça, José Omar de Almeida Júnior para relatar as tentativa de intimidação que o presidente da ABM-TO vem sofrendo por ter dado apoio a realização da pesquisa”, informou a Federação.

 

A FASPRA-TO informou também acompanhou as oitivas das testemunhas arroladas no Inquérito Policial Militar (IPM). “Uma ferramenta clara de perseguição, visto que o Comando Geral do Corpo de Bombeiros não possui autoridade funcional sobre AMP-TO ou FASPRA-TO que realizaram a divulgação da pesquisa e seminário que expôs os casos de assédio moral e sexual na corporação”, enfatizou o presidente em exercício da FASPRA-TO, sargento Everton Cardoso.

 

Outro ponto que exposto pelos presidentes da ABM-TO e FRASPA-TO foi o ofício que solicita o encaminhamento de informações exclusivas das duas entidades ao Comando Geral dos Bombeiros. O presidente em exercício da FASPRA-TO relatou que encaminhou cópia à assessoria jurídica da Federação, para que seja verificada a legalidade do pedido e os procedimentos cabíveis contra o encarregado do IPM. “Não será tolerada a intervenção por parte do Comando Geral do Corpo de Bombeiros nas atividades das entidades representantes de classe. Cópia dos procedimentos e notícias vinculadas, além das denúncias serão encaminhadas para a entidade nacional dos praças para que possam auxiliar a federação”, disse Everton Cardoso.

 

Para o advogado da FASPRA-TO, Benito Querido, o procedimento do Comando dos Bombeiros “é uma ferramenta clara de perseguição e intimidação. Ademais, o que causa mais estranheza é o fato de ser aberto um IPM para investigar e punir os supostos autores da pesquisa, aonde o correto e lógico seria abrir um procedimento para apurar as reais denúncias de abusos coletadas na mencionada pesquisa. Como o Comando Geral do Bombeiro não possui autoridade funcional sobre a presidente da AMP-TO ou sobre o Vice-presidente da FASPRA-TO, que verdadeiramente realizaram a divulgação da pesquisa e seminário, ele decide instaurar procedimento em face do Major dos Bombeiros, por ser subordinado hierarquicamente a ele”, atestou.

 

A FASPRA-TO foi oficiada pela presidente da Associação das Mulheres Polícias do Tocantins (AMP-TO), Giovanna Cavalcante, sobre o relato de uma das vítimas de assédio sexual. “A nota do Comandante Geral dos Bombeiros tenta descreditar as denúncias. Como poderia denunciar o assediador se ele é o próprio comandante? E mais: o corregedor é subordinado ao Comandante Geral”, denunciou uma das vítimas.

 

Entenda

 

As denúncias de assédio sexual e moral no Corpo de Bombeiros foram expostas em pesquisa realizada em outubro deste ano pela Associação das Mulheres Policiais do Tocantins (AMP-TO), com o auxílio da Federação das Associações de Praças Militares do Estado do Tocantins (FASPRA-TO). Os dados foram apresentados na Ordem dos Advogados do Brasil (OAB-TO), durante coletiva à imprensa ainda em outubro.

 

A pesquisa foi apresentada e culminou no I Seminário sobre a Saúde Mental dos Profissionais das Forças de Segurança do Estado do Tocantins. O evento, que teve a presença de diversos palestrantes, foi aberto ao público e teve como objetivo debater o assunto e inibir novos casos de assédio dentro das Forças de Segurança do Estado.

 

São filiadas à FASPRA-TO: Associação dos Praças Militares do Estado do Tocantins (APRA-TO); Associação dos Praças e Servidores Militares do Estado do Tocantins (ASPRA GURUPI); Associação Independente de Cabos e Soldados e Demais Praças do 7º e 3º BPM (ASSICASOL); Associação dos Cabos e Soldados de Colinas (ACS COLINAS); Associação dos Cabos e Soldados do 5º BPM do Estado do Tocantins (ACS PORTO NACIONAL); Associação dos Militares de Paraíso e Região (ASMIPAR); Associação dos Militares da Região de Dianópolis (ASMIRD); Associação dos Praças e Bombeiros Militares de Araguaína (APA); Associação dos Praças do Bico (ASPRA BICO); Associação dos Militares de Arraias (AMA); Associação de Defesa e apoio jurídico aos militares do Tocantins (ADPMETO) e Associação dos Bombeiros Militares do Tocantins (ABM-TO).

 

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