Durante entrevista coletiva com a imprensa na manhã desta segunda-feira, 30, o atual secretário de Estado da Saúde, Renato Jayme, informou que após 10 dias de análise, datada com a segunda posse do governador interino Mauro Carlesse (PHS), o cenário da Saúde no Tocantins foi diagnosticado como crítico e caótico. Além disso, sem verbas, o mutirão de cirurgias que havia sido anunciado por Carlesse pode ser adiado.
Segundo Renato Jayme, a gestão anterior não vinha realizando os repasses aos municípios e a rede hospitalar está sobrecarregada. Outro ponto analisado foram as dívidas, que somam R$ R$ 138 milhões. “A situação da Saúde é crítica. Fizemos durante a semana passada um levantamento de tudo, em relação a fornecedores e ao funcionamento da nossa rede hospitalar. Encontramos uma dívida de R$ 138 milhões, o que demonstra que temos uma situação para resolver, principalmente com os fornecedores, para que não haja interrupção dos serviços relacionados à saúde”, pontuou.
O secretário também justificou os cortes de pessoal que ocorrem na gestão desde o dia 20, classificando como “necessários para readequar o equilíbrio das dívidas do Estado”, relembrando ainda o caso de municípios que teriam duas ambulâncias e 18 motoristas, relatado na semana passada pelo candidato à vice de Carlesse, Wanderlei Barbosa, nas eleições suplementares.
De acordo com Jayme não foram feitos investimentos essenciais na área da Saúde nos últimos 10 anos, o que teria contribuído para a situação atual. “Sem contar que de um orçamento necessário de R$ 437 milhões, sobraram R$ 153 milhões, e ainda temos uma dívida de R$ 138 milhões. Então temos que buscar alternativas para poder resolver isso, mas hoje, a situação é muito crítica e muito difícil de resolver”, declarou, alegando que o motivo seria “a falta de prioridade da Saúde na gestão”, referindo-se ao último governo.
Segundo Jayme, após o diagnóstico, a gestão de Carlesse pensa em um plano emergencial para diminuir os impactos da falta de orçamento e manutenção dos serviços básicos. “Todas as ações serão planejadas em função da dívida, que nós herdamos, e da retração orçamentária, para então buscarmos alternativas e ver o que conseguimos fazer com o recurso que sobrar, que na verdade, nós não temos hoje”, disse.
O secretário também alegou que problemas relacionados aos repasses orçamentários, junto aos municípios, estariam sobrecarregando a rede hospitalar por causa de desorganização no referenciamento. “Foi feito um levantamento na área verde do Hospital Geral de Palmas e de 719 pessoas atendidas, no ano passado, apenas 74 dos atendidos eram casos hospitalares, o que totaliza só 9% dos atendimentos”, expôs.
Opera Tocantins
Questionado sobre o programa Opera Tocantins e o mutirão de cirurgias, anunciado por Carlesse, o secretário declarou que primeiramente será necessário criar condições de trabalho para a realização das cirurgias, que podem ser adiadas. “O grande desafio é articular condições de trabalho, recursos, materiais, medicamentos, leitos e principalmente, os profissionais da saúde. Pode ser que venha um atraso, ou remanejamento, porque a gente precisa criar condições para que aconteça. Se não tiver o material, o medicamento e o leito, não tem cirurgia. Então vamos nos reunir essa semana para definir como e quando vai acontecer”, finalizou.
Empréstimo
Está tramitando na Assembleia Legislativa a formalização do pedido de empréstimo no valor de R$ 453 milhões junto a Caixa Econômica Federal que oferece o Fundo de Participação dos Estados (FPE) como garantia de pagamento dos empréstimos. De acordo com Renato Jayme, se autorizado o empréstimo, estão previstos R$ 50 milhões para a reforma do HGP, R$ 50 milhões para a construção do novo hospital de Araguaína e R$ 5 milhões para conclusão da reforma do Hospital de Tocantinopólis.
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