Um projeto cultural financiado por recursos da Polítca Nacional Aldir Blanc (Pnab) é exposta no Blackbird Estúdio e Bar (uadra 112 Sul, Rua SR 07, Lote 47), com a proposta de articular música e artes visuais em um mesmo processo criativo. Denominada de "Invasão do Pequi 2", a proposta foi criada pelos artistas visuais Felipe Supernaut e Leromanual, e integra a segunda edição de um outro projeto de mesmo nome, que começou como uma coletânea musical acompanhada de um festival realizado em 2024. A ação foi viabilizada com recursos federais geridos pelo Governo do Estado, por meio da Secretaria da Cultura.
Segundo Supernaut, a inclusão das artes visuais ocorreu de forma orgânica, a partir de sua relação pessoal com a música. “Sempre gostei muito de escutar CDs enquanto olhava as capas e os encartes”, afirmou.
As telas expostas dialogam com as faixas do álbum que integra a coletânea Invasão do Pequi 2. O processo criativo ocorreu de forma colaborativa entre Felipe Supernaut e Leromanual, a partir de um enredo construído coletivamente. “Desde o início, eu e o Lero decidimos que a temática que iríamos criar seria bem livre, podendo ser ficcional ou fantasiosa. Fizemos um brainstorm, jogamos o nome Invasão do Pequi e os nomes das músicas em um caldeirão de ideias e criamos um enredo que norteou a criação das telas”, relatou Supernaut.
As obras recebem os mesmos nomes das faixas do álbum e resultam de um exercício de troca criativa, ressignificação e diálogo entre linguagens artísticas. A exposição reúne telas como Invasão do Pequi 2, Pseudo Caos, Celestina, Queen of Hell, Pequena Chance, Mammoth e Paz e Guerra, que seguem disponíveis para visitação pública no espaço.
Para o artista, o apoio da Política Nacional Aldir Blanc foi fundamental para a execução do projeto. “A PNAB é de extrema importância no fomento cultural do nosso estado e do nosso país. Ela tem democratizado o acesso aos recursos públicos, fazendo com que a verba chegue aos artistas e produtores culturais. Como o aporte é dividido em categorias, ele se adéqua a vários tipos de projetos, de menores a mais elaborados, como a Invasão do Pequi, que envolve vários profissionais da cultura”, destacou Supernaut.
Acessibilidade
Outro aspecto considerado na concepção do projeto foi a ampliação da acessibilidade cultural. De acordo com os proponentes, desde a primeira edição a comunidade surda participou do festival, mas a presença exclusiva da música limitava o acesso pleno. “Por ser só música, eu acho que faltava algo de arte para eles consumirem também. Então hoje o festival Invasão do Pequi é um festival de música e arte”, explicou Supernaut.
Fomento cultural
No campo das artes visuais, o edital garantiu apoio financeiro aos artistas, além da aquisição de materiais específicos, como telas e tintas. A iniciativa também contou com ações de acessibilidade, como interpretação em Libras e adequações estruturais para pessoas com deficiência, além de programação gratuita e aberta ao público. Segundo os artistas, o projeto contribui para o fortalecimento da produção artística regional e amplia o alcance da cultura tocantinense. “A coletânea está disponível nas plataformas de streaming e as imagens das telas também circulam online, o que permite que o trabalho alcance outros estados e públicos”, concluiu Supernaut.
Artistas
Felipe Supernaut é produtor cultural, músico, compositor, DJ, produtor fonográfico e artista visual, atuando no cenário independente há mais de 10 anos. É fundador e sócio da Produtora Árvore Seca desde 2015, com atuação destacada na criação e produção de festivais, intercâmbios culturais e projetos autorais.
Foi responsável pela produção de iniciativas como o Festival Bem Ali, o Grito Rock Palmas e o projeto Invasão do Pequi, além de atuar como produtor e sócio do Blackbird Estúdio e Bar, onde já participou da produção e coprodução de mais de 150 eventos culturais.
Também é fundador do selo Wheels of Confusion Records, responsável por lançamentos fonográficos, fanzines e ações de difusão da música underground.
Como músico, integra projetos autorais como Wizened Tree, Big Marias, Sister from Mars e o experimental Damn Free Doom. Produtor fonográfico registrado pela Associação Brasileira de Música e Artes (ABRAMUS), desenvolve uma trajetória marcada pela diversidade estética, produção de resistência e conexão entre música, território e cultura independente.
Emanuel Vitor de Oliveira Aguiar, conhecido artisticamente como Leromanual, é artista visual e grafiteiro com mais de oito anos de trajetória na cena urbana e contemporânea. Sua produção transita entre muros e telas, explorando as potencialidades do graffiti como linguagem expressiva. Vencedor do II Salão Palmense de Novos Artistas, acumula diversas exposições ao longo da carreira, consolidando um trabalho que dialoga com a identidade visual das ruas e a pesquisa estética em artes visuais.
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