A lógica do golpe e o tal do momento oportuno

Tem coisa engraçada na política do Tocantins. Exemplo claro é essa situação da Faet, em que a extensão do tempo de mandato à frente da entidade - tendo como argumento a adequação ao padrão nacional - caminha para se tornar um destes casos em que &quo...

Voltamos ontem ao assunto da polêmica prorrogação de mandato que Júnior Marzola promoveu a seu favor no final de novembro do ano passado, ao arrepio do que prevê o estatuto da Faet. A decisão da Justiça do Trabalho, em atenção à ação movida por três presidentes de sindicatos, saiu conforme era de se esperar: se não houve convocação adequada para a assembléia extraordinária que mudou o estatuto e estendeu em um ano a permanência de Marzola na presidência, todos os atos tomados na assembléia feita de improviso ficam nulos de pleno direito.

O argumento do presidente é justamente a necessidade de adequação ao que reza inclusive o estatuto da CNA – Confederação Nacional da Agricultura, quanto aos novos prazos de duração dos mandatos, entre outros ajustes. Até aí tá tudo certo. O problema é a forma com que as coisas aconteceram.

Depois de romper no começo do processo eleitoral do ano passado com a senadora Kátia Abreu, numa história envolvendo dinheiro para a disputa do mandato de deputado federal, Marzola entrou de corpo e alma na campanha de Carlos Gaguim. Afirmou ter levado com ele a maioria dos presidentes de sindicatos rurais, naquela caminhada que terminou em evento de campanha. Mas deu zebra o final da campanha. Marzola mesmo não concorreu e Gaguim terminou atrás de Siqueira na contagem dos votos.

Prorrogação de mandato fora da regra é golpe

Lá naqueles dias pós eleição, em que Júnior Marzola aparentemente tinha a maioria dos presidentes de sindicatos, é que era a hora de fazer as tais adequações no estatuto, no tempo de mandato e etcétera e tal. Mas legalmente, convocando assembléia extraordinária para este fim e garantido acima de qualquer contestação, mais um ano à frente da poderosa entidade.

O que se viu, no entanto, foi diferente. O presidente aproveitou-se de uma reunião convocada para outro fim, usou o quórum que tinha e chamou imediatamente a tal assembléia extraordinária em que estendeu seu mandato à La Hugo Chavez. E isso aí é golpe, não tem outro nome.

Depois de postar a matéria com o resultado do que disse a justiça do trabalho, recebemos uma nota em que Marzola explica aos associados que o problema não é o teor do que ele fez, mas a forma. E que vai fazer novamente a alteração estatutária, mas “no momento oportuno”.

Ah tá! Então tá explicado. Mas ao que parece, esse momento passou. Os presidentes de sindicatos arrastados na aventura eleitoral de atrelar a federação da agricultura oficialmente a um candidato podem agora repensar seu próprio momento. Afinal estamos falando de uma entidade composta por representantes do segmento mais rico da economia do estado.

Essa gente não precisa de favores do governo. Ao contrário, tem poder de força para pedir a parte que lhe cabe deste latifúndio. E pode muito bem marchar sem atrelamento partidário, tendo do governo a atenção devida, por merecimento. E nada mais.

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