Uma recomendação sem qualquer dado novo no processo, para ser juntada como prova. É assim que pode ser traduzido o documento assinado pelo então reitor da Unitins, André de Matos, em abril do ano passado, sugerindo anulação de todas as provas do Concurso do Quadro Geral. Veja bem: todas. As que apresentaram problemas de impressão (nível médio) e por isso tiveram 10 questões específicas canceladas, e as que transcorreram sem problemas.
Ouvindo ontem o ex-reitor para uma entrevista ele me lembrou que não tem vinculação política, nem está a serviço deste ou daquele governo ao emitir uma opinião que só agora veio à público, segundo se explica, por que agora é o momento processual de juntar provas aos autos da ação popular que se segue. É fato: o despacho de André é de 15 de abril de 2010, traz um trecho que determina sua juntada no momento oportuno. Quem procastinou prazos na verdade não foi o ex-reitor, já que agora é que o processo ganha dez dias para juntada de novas informações e documentos.
O problema é que a opinião do ex-reitor não acrescenta nada a não ser um ponto de vista. E faz isto em nome da Unitins, que foi a contratada para realizar o concurso - e sub contratou a Universa para algumas tarefas específicas – que se arrasta há dois anos sem solução. É compreensível que André de Matos quisesse tirar a Unitins rapidamente do foco das críticas que a desacreditavam à época que assumiu - no começo de março - e que a opção de refazer o concurso fosse algo a se considerar. Não estou duvidando de suas melhores intenções. Mas há algo de grave no ar.
Gaguim não queria a homologação
O que o primeiro escalão que governou com Carlos Gaguim sabe - e nele inclui-se deputados co-partícipes da gestão – é que o ex-governador não queria a homologação do Concurso do Quadro Geral.
Nos autos da sindicância o representante da Universa afirma que a instituição estava “pronta para rodar a lista de aprovados” do concurso, assim que recebesse a relação dos Portadores de Necessidades Especiais fornecida pela Unitins para garantir sua cota.
Nos bastidores no entanto a informação que circulou à época e pelo próprio ex-governador é que a lista estava em poder do Estado e que Gaguim não gostou de ver nela que “a maioria dos aprovados” era de fora. Também não queria dividir os louros políticos da realização do concurso com o antecessor, Marcelo Miranda, no governo de quem – com todas as falhas – o concurso foi chamado e realizado.
O que a justiça tem pra decidir
Já critiquei com todas as tintas aqui, a desorganização e irresponsabilidade da Fundação Universa, cujas relações que levaram à sua contratação são tocadas de leve no levantamento da sindicância. Não sustento defesa de que provas com falhas na impressão e com dez questões a menos sejam validadas. Estas, se bem orientado, o ex-governador Marcelo Miranda tinha que ter recebido amparo jurídico para cancelar à época e acabar com a confusão no nascedouro.
Tivesse agido assim e teria desenrolado o concurso ainda dentro do seu governo, com a realização de novas provas - por conta da Universa, autora do erro - e solução do impasse.
O que a justiça tocantinense tem para decidir agora é se prevalecerá o interesse político de um ou de outro governo na pendenga do Quadro Geral ou se prevalecem os fatos.
E os fatos mostram que não houve fraude, não se comprometeu o sigilo do conteúdo das provas e não houve gabarito vazado ou vendido.
Se apesar disto, os problemas da Fundação Universa em cumprir sua parte do contrato for motivo suficiente para anular até o que transcorreu sem problemas, caberá à justiça dizer.
O que a sociedade tocantinense não precisa mais suportar é a pecha de que concurso público no Tocantins é sinônimo de descrédito. Se a intenção for desconstruir um adversário que já está fora do cenário político por decisão da justiça, o documento da Unitins que serviria bem ao governo Gaguim, também serve ao governo atual.
Agora se a intenção for de respeito ao dinheiro público investido ali, independente de quem fosse o governante, é impensável jogar no lixo tudo o que escapou ileso das falhas técnicas- conjuntas, é bom se dizer –cometidas pela Unitins e Universa.
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