Repetir o mesmo erro duas vezes, é burrice ou seja, ficar aguardando que expedientes parecidos ou semelhantes aos ocorridos nos anos 2008-09 ocorram sem nenhum aviso à coletividade tocantinense... é chamar para mim um novo infarto e dessa vez pode ser fatal.
Poucos conhecem parte da história que vivi no ano de 2008, quando bati de frente com o que vinha ocorrendo na Unitins. Intuitivamente não me sentia bem com todo aquele esquema canibalístico-mercantil sobre a expansão da educação a distância no território brasileiro e para outras terras, visando-se uma lucratividade desmesurada. Muitos trabalhando, poucos se beneficiando com o glamour e ou dinheiro. Isso são coisas para investigações do Ministério Público e Polícia Federal. Não quero me meter nessa cumbuca, porque ganhei telefones grampeados, acusações e danos morais, ameaças veladas e explícitas sobre a segurança de meus parentes até a culminância do coração não agüentar e se sentir perdendo a força dos ventrículos num país estranho, um infarto que me deixou à beira da morte. Contra todos os prognósticos desfavoráveis, sobrevivi. A muitos agradeço as preces e energias positivas. Mas o sofrimento foi muito grande e as limitações das dietas e outros processos medicamentosos são caros e rígidos. Isso paguei por não ter denunciado.
O resultado, todos nós vimos: a Unitins virou manchete nos principais jornais brasileiros e nos noticiários televisivos, de forma lodosa, à instituição foi impingido um termo de saneamento, ou seja, para separar o que é água e esgoto em palavras mais claras. O ano de 2010: trabalhamos com uma equipe para separar água e esgoto. Uma parte da equipe gestora arregaçou as mangas e enfiamos a mão no esgoto, a outra veio de contrapeso. Foi difícil e continua sendo difícil. Cada passo é um passo, e como adictos em busca de cura, vamos vivendo um dia a cada dia. Hoje se corrige o sistema de avaliação dos alunos, ontem o sistema de dependências que estava descontrolado, cinco minutos atrás se discute sobre o relacionamento da instituição com os pólos regionais, mais meia hora com membros representantes da Defensoria sobre o estágio supervisionado obrigatório no Serviço Social que está em realização. Conselhos foram colocados em funcionamento, cursos presenciais abertos, autorizados e em funcionamento, expedientes para credenciamento junto ao Sistema da Universidade Aberta do Brasil para a oferta de dois cursos (Pedagogia e Letras) na modalidade de educação a distância. Afinal, ficou entalado na goela de todos nós, tocantinenses por opção e honestos, o descrendenciamento da Unitins. E conseguir colocar isso na pauta do dia junto ao MEC e ter de volta o credenciamento para a UAB, inclusive trabalhando de forma mais concreta daquela fantasiosa verba de bancada que se não pela intervenção do Reitor e todos os conhecidos em Brasília jamais sairia dos discursos de campanha eleitoral dos candidatos, é vitória.
A instituição recuperou pouco centímetros a mais de sua respeitabilidade perdida. Agora estamos às voltas com a busca de garantias para que ela possua orçamento vinculado por projeto de lei na Assembléia Legislativa. Estamos a resolver sua parte documental, jurídica e acadêmica para que qualquer governo que a encontre em 2011 possa ter clareza e direcionar com respeito uma política de ensino superior para o estado do Tocantins tendo a Unitins como ponto de referência. Isso sem menosprezar de forma alguma as demais IES no Estado.
Contudo, a Unitins ao possuir 18 pontos como meta de trabalho nesse período de 2010, um dos últimos é o concurso público para professores. A casa não se mantém de pé caso os alicerces que plantamos não possuam o mínimo de tijolos nas primeiras paredes.
Isso parece estar sendo difícil para a comunidade docente compreender. O reitor comunicou democraticamente a todos, das comunidades docente e técnico-administrativa, os expedientes estabelecidos e os processos firmados para o lançamento de um primeiro concurso da Unitins, depois de mais de 20 anos, para professores. Não falo de editais simplificados de seleção para dissimular respostas concretas às demandas legais dos termos de ajuste de conduta do Ministério do Trabalho. Todavia, de um Concurso de Provas e Títulos para honrar com o Ministério do Trabalho termo que não foi devidamente efetivado. Até hoje vivemos os ecos do mal feito, quando entrantes em muitos desses processos vieram por bilhetes e não por seleções efetivadas.
Agora, com o acompanhamento da COPESE-UFT se pode estabelecer outro Concurso, com “C” maiúsculo para a Unitins. Meu medo mora ai. Como todo concurso, tudo aquilo que é plausível e relevante se torna objeto coerente e objeto de deferimento jurídico, por exemplo: disciplinas e áreas de conhecimento, compatibilidade entre ementas das disciplinas e objetos de avaliação aglutinados, e fundamentalmente, o número de vagas estabelecido em conformidade com o número de disciplinas dos cursos e de acordo com o Plano de Salários e Cargos recentemente aprovado na Assembléia (essa é uma vitória para uma instituição capenga que nos fazia morrer de vergonha, ao tentarmos pleitear mestrados e doutorados e as comissões avaliadoras questionavam essa não existência do plano).
O meu medo: - pela falta de experiência de muitos professores na vida universitária ou pelo “natural” instinto de sobrevivência que torna sempre o homem lobo do homem a la Hobbes, práticas canibais e subjetivas de sabotagem venham a querer corroer o certame. Essas práticas são bem conhecidas nos meios tocantinenses (falo daqui, porque vivo aqui...por suposto) como as clássicas cartas anônimas ou nomes fictícios em emails distribuídos para todos os cantos, telefones pseudo-grampeados, os boatos como balões de ensaio para provocar instabilidade ou as acusações de pactos celebrados para controlar a entrada de pessoas, como se tudo fosse reduzido a um ritual satânico numa noite de lua cheia...
Aconselho a todos que tenham observações ou dúvidas sobre vagas-perfil profissional relacionadas a esse certame que as remetam à COPESE-UFT e à Comissão Organizadora do Concurso-Unitins ou aos organismos a que ela designar para tal recepção. Mas, por favor, não busquem criar boatos de que existem pactos para ofertar vagas com CPF, ou seja, perfis encomendados, ou com pedigree, e nem metam nomes de profissionais respeitados pela luta de manutenção da Unitins nesses boatos. Quem tem pedigree são os cães, gatos e outros animais irracionais. Professores têm perfil profissional, titularidade, experiência e espera-se também, ética profissional.
Para isso, faço pública essa minha inquietação e peço atenção do Ministério Público e da Polícia Federal para que tudo ocorra como reza a lei. Eu confio na Comissão Organizadora e nos trabalhos da COPESE-UFT. Não envolvam meu nome e de meus companheiros de equipe nos boatos-botes salva-vidas. Eu não tenho pedigree, tenho duas pontes mamárias em parte por causa de defender uma instituição de ensino superior limpa e digna para os tocantinenses. O que puderem me protejam, por favor. E acompanhem com atenção a Unitins, deixem-nos trabalhar sem ameaças, chantagens ou acusações indevidas.
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