As Américas não fazem nada discretamente, e o setor de jogos online não é exceção. A região abriga atualmente o mercado de jogos de azar mais litigioso do mundo e algumas das bases de jogadores que crescem mais rapidamente em todo o planeta: às vezes, tudo dentro do mesmo país.
Os órgãos reguladores estão criando regras que as operadoras já estão superando. Novos formatos estão conquistando público antes mesmo de alguém decidir se são tecnicamente legais. E, por trás de tudo isso, muito dinheiro está circulando em volumes que começam a exigir atenção política séria.
Na América do Norte e na América Latina neste momento várias histórias interessantes estão ocorrendo simultaneamente.
Como as Américas se tornaram o território mais disputado do iGaming?
A América do Norte é atualmente a região de iGaming com o crescimento mais rápido do mundo e prevê-se que se expanda a uma taxa de crescimento anual composta de 15,4% até 2031. Isso explica por que você provavelmente já viu várias grandes operadoras direcionando seus jogos para esse mercado há algum tempo.
Os EUA estão vivenciando esse momento de crescimento. Graças a mudanças recentes na regulamentação, a receita com jogos de azar online está aumentando rapidamente, mas concentrada em apenas alguns estados que legalizaram os jogos de cassino online. O país, ao que parece, ainda está longe de atingir seu potencial máximo quando se trata de jogos de azar digitais.
As Américas são únicas na forma como concentram mercados rigidamente regulamentados, zonas cinzentas e proibições lado a lado, por vezes até partilhando uma fronteira. Isso cria uma tensão que não dá sinais de se resolver tão cedo, o que torna a situação ainda mais interessante de acompanhar.
O modelo de sorteios dos EUA: uma brecha legal ou um mercado legítimo?
É fácil se deixar levar por discussões sobre licenças estaduais, mas a verdade é que nem todo tipo de jogo de azar digital precisa delas.
Cassinos com sorteios, por exemplo, seguem uma estrutura legal separada, baseada na legislação promocional e não nas regulamentações de jogos de azar. Isso significa que os jogadores podem acessá-los na maioria dos estados americanos, independentemente da legislação vigente sobre cassinos.
Para quem tem curiosidade e quer ter uma ideia clara do que está realmente disponível — plataformas, formatos, como funciona a mecânica — um diretório de sites bem organizado torna a pesquisa muito menos tediosa. Esses diretórios eliminam toda a informação irrelevante que envolve esses sites de sorteios e direcionam você para aqueles mais adequados ao que você procura.
O mosaico regulatório da América Latina
A história do iGaming nos EUA pode ser marcada pela lenta legalização estado por estado, mas a América Latina está adotando a abordagem oposta: velocidade, o que trouxe alguns resultados imprevisíveis.
O Brasil é agora o maior mercado regulamentado de iGaming do mundo, com mais de cem milhões de jogadores ativos e receitas anuais que atingiram US$ 7 bilhões no final de 2025. Seu marco regulatório entrou em vigor integralmente em janeiro de 2025, marcando o fim de anos de ambiguidade jurídica.
Desde então, mais quinze de seus vizinhos latino-americanos anunciaram atualizações ou novas estruturas para apostas e jogos online, algo que teria parecido muito improvável há poucos anos.
A Colômbia é outro país que se destaca. Pioneira na regulamentação de jogos de azar online na América Latina, continua a servir de modelo para outros, mas seu sistema mostra sinais de fragilidade devido à alta carga tributária sobre as apostas. Em 2025, o governo introduziu um IVA de 19%. sobre depósitos, o que gerou a ira de várias grandes operadoras. Elas argumentaram que a medida penalizava os operadores, não o setor, e o país agora está tentando encontrar uma maneira de manter essas operadoras licenciadas à medida que os custos de conformidade aumentam.
Isso deixa a Argentina – um ator importante que opera com um modelo totalmente provincial. Em 2024, 14,6 milhões de pessoas usaram plataformas de apostas, mas 78% acessaram sites não regulamentados. Os críticos têm defendido uma reforma nacional, mas a vontade política não é suficiente para que isso aconteça.
Um fator comum a todos os países da América Latina é o uso de dispositivos móveis. As plataformas de celulares e tablets representam agora mais da metade da receita mundial de jogos de azar online, e acredita-se que a participação da América Latina seja ainda maior.
Mercados com infraestreutura e foco em dispositivos móveis
Os jogos para dispositivos móveis se tornaram a forma dominante de engajamento em iGaming na América Latina. Isso elimina uma barreira que historicamente limitava o acesso ao iGaming a grupos demográficos mais ricos e conectados.
Um jogador em uma cidade brasileira de porte médio e um jogador em São Paulo agora podem acessar o mesmo produto no mesmo dispositivo, o que gera uma mudança no público-alvo das operadoras.
A infraestrutura de pagamentos está seguindo a mesma lógica. O sistema de pagamentos instantâneos PIX do Brasil tornou-se uma espécie de modelo regional, com transferências bancárias rápidas como o PIX, carteiras digitais e criptomoedas ganhando força como alternativas mais ágeis e localizadas aos cartões de crédito tradicionais, reduzindo a burocracia e incentivando mais usuários casuais a depositar fundos em suas contas pela primeira vez. São cada vez mais comuns cassinos online que aceitam PIX como forma de pagamento.
Impacto do crescimento regional nos padrões dos jogadores
Maior concorrência e mercados mais sofisticados tendem a elevar o nível mínimo do que os participantes podem esperar. Melhores produtos, termos mais transparentes e pagamentos mais rápidos são três exemplos desses benefícios.
Nas Américas, porém, a expansão dos jogos de azar tem um lado sombrio difícil de ignorar. No Brasil, estimativas sugerem um volume de apostas ilegais de US$60 bilhões em apenas dois meses, o que demonstra o quanto a fiscalização ainda está aquém da ambição, mesmo em um mercado recém-regulamentado. Em toda a região, as preocupações com o vício em jogos de azar, principalmente entre as populações vulneráveis, passaram a ocupar o centro do debate regulatório, juntamente com questionamentos sobre se as estruturas tributárias estão de fato servindo ao interesse público ou apenas visando à arrecadação de receita.
O crescimento nas Américas é real e, na maioria dos mercados, está se acelerando. Se os marcos regulatórios que estão sendo construídos em torno desse crescimento são realmente adequados ao propósito, ou se estão apenas tentando acompanhar o ritmo por uma questão de aparência, é uma questão em aberto que ainda precisa ser respondida.
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