As desavenças de Stálin e Kátia e a independência do Naturatins em atingir amigos e desafetos do governador

Assistindo de camarote a briga pública, na troca de farpas entre Irajá Abreu, Stalin Beze Júnior, Stálin pai, e a senadora Kátia Abreu desde o dia daquele evento no Teatro Fernanda Montenegro tenho ouvido nos bastidores o texto e o contexto de toda a...

Diz o ditado que quem conta um conto, aumenta um ponto. Para evitar mais polêmica do que a que vem rendendo nos jornais, tribunas e sites de notícias - desde que o Naturatins foi criticado publicamente, na presença de Stálin Beze Júnior naquele seminário Tocantins Florestal - vou me ater só aos fatos inquestionáveis para contar a história que rola atrás das cortinas, nos bastidores dessa briga toda.

Naquele dia, Stálin Júnior, saiu do teatro inconformado - segundo ele mesmo me disse mais tarde numa entrevista ao Na Ponta da Língua, na Tocantins FM – por ter sido criticado em público pelos organizadores do evento que questionaram a “burocracia” na liberação de licenças pela Naturatins. No programa de rádio desfilou números que comprovariam a eficiência de sua gestão: disse ter multado pouco e liberado processos amontoados nas mesas com pedidos de licença que segundo ele já duravam muitos meses.

O incômodo maior de Stálin Júnior era com Irajá Abreu (DEM), recém eleito deputado federal. Segundo ele, duas propriedades do filho da senadora estariam com atividades em desacordo com a legislação ambiental. O fazendeiro, produtor de eucalipto, teria desmatado além da conta provocando multas, e aí estariam os motivos das críticas à sua gestão.

As multas e a fábrica de dificuldades para “vender” facilidades

Por outro lado, no mesmo evento, a senadora Kátia Abreu (DEM) criticou os que “fabricam dificuldades” para os produtores rurais, a fim de na sequência “vender facilidades”, através de empresas e profissionais liberais que estariam procurando os que precisam de licenças no Naturatins para comercializar seus serviços a altos valores e assim, facilitar a emissão de licenças.

Fora de Palmas, dos holofotes e da tribuna por motivo de saúde, o deputado Stálin Bucar chegou pronto para defender o filho. Aliás, o componente emocional nesta briga específica está claro: são pai de um lado, e mãe de outro, defendendo os seus. Trazendo o assunto de volta à cena, Bucar soltou o verbo contra Irajá, que aliás, nem está mais na discussão: pediu desburocratização na emissão de licenças entre outras coisas através de uma carta ao governador eleito, encaminhada pela associação que integra, a Aretins, da qual é vice-presidente. Sobre as multas, está recorrendo, e não voltou mais ao assunto.

Já o desafeto entre Stálin Bucar e Kátia Abreu é grande e remonta a outras épocas. Numa viagem que fizemos juntos, ele contou sua versão da história. Ela de um lado estaria promovendo festas agropecuárias em Miranorte sem buscar a prefeitura para pedir licença. Ele por outro mandou passar o cadeado na porta do parque de Exposições para impedir um show durante uma exposição. Deu polícia, oficial de justiça e Stálin em cima de um trator para cumprir a ordem judicial de abrir o parque derrubando tudo. Cenas das quais a população da cidade com certeza se lembra, e que ele conta com riqueza de detalhes.

Na cota pelo apoio, Stálin não aceitaria interferência

Avançando no tempo para os dias atuais, é sabido que a partilha de espaço para os deputados que apoiaram o governador Carlos Gaguim (PMDB) em sua eleição indireta teve como conseqüência a nomeação em secretarias e autarquias de pessoas ligadas aos aliados. No Naturatins, assumiu Stálin Beze Júnior. Mas, o lógico e esperado é que cada secretário, presidente, superintendente, se reporte ao governador como seu superior.

É aí que entra o buxixo mais quente que circula em todas as rodas políticas nas últimas duas semanas: o Naturatins teria se tornado um órgão praticamente independente. Faz e desfaz sem se preocupar muito se as ações estão atingindo adversários ou correligionários. Fiscalizou e lacrou, por exemplo, empreendimento no ramo de combustíveis de propriedade de gente bem próxima a Gaguim. E não adiantou - segundo consta - que o governador pedisse explicações.

No clima de fim de governo ele teria recebido uma resposta curta: no Naturatins manda quem está lá sentado na cadeira. Afinal essa foi a cota de participação pelo apoio, e trato é trato.

Brigas pessoais à parte, e para tirar a dúvida do leitor e contribuinte sobre como de fato está sendo administrado o órgão: se dentro da lei - com a mesma rigidez para amigos e adversários - ou se com negociação de licença, como denuncia a senadora, seria apropriada uma averiguação do Ministério Público. Afinal, ninguém está tão acima da lei – mesmo que no exercício do cumprimento dela - que não possa ser fiscalizado.

Comentários (0)