Ontem no Espaço Bela Data assisti uma cena que me remeteu à véspera da saída do ex-governador Marcelo Miranda(PMDB) do cargo. Enquanto eu ouvia o candidato sobre as esperadas adesões à Gaguim, passou por nós um peemedebista de alta plumagem. Me cumprimentou e ignorou Marcelo. Meu radar apitou na hora: tem coisa errada no front.
E tem mesmo. Dentro do partido do ex-governador já começou o conhecido fogo amigo. Ao invés de torcer por Marcelo – comportamento natural de um grupo que tem nele o primeiro colocado nas pesquisas de intenção para o Senado – e segurar seus votos, alguns influentes peemedebistas já começaram a se articular nas sombras (outros nem tão ocultos assim) pela vaga que ele ocupa, caso sua candidatura não prospere.
O efeito Leomar
Antes era Osvaldo o autor de toda declaração com o objetivo de minar Marcelo. Desgastadíssimo dentro do partido pelo vai não vai para Siqueira, Reis saiu do foco da discussão, e deu lugar a... Leomar. Justo o senador, que teve em Marcelo o maior defensor de sua candidatura antes do acordo feito pelo PMDB com o PT, que terminou alçando Paulo Mourão à segunda vaga.
As recentes declarações de Leomar Quintanilha à imprensa dizendo que está “pronto” para substituir Marcelo criou constrangimento e desconforto no grupo marcelista. Pior que isto, gerou a antipatia contra o senador, candidato a deputado federal, entre os estaduais que de alguma forma são ligados à Marcelo. Conclusão: Leomar perdeu votos e esfriou possíveis dobradinhas.
Baterias contra Dulce
Se o fogo amigo cresce no PMDB contra Marcelo, a oposição prepara contravapor para o caso da candidatura do ex-governador ser barrada em instâncias superiores. Se prevalecer o entendimento de que a vaga é de Marcelo e que em último caso caberia a ele a indicação do nome a sucedê-lo, a hipótese mais esperada é que a ex-primeira dama Dulce Miranda seja a herdeira da missão de carrear o espólio eleitoral dos Miranda.
Dulce, como se sabe, tem carisma, é querida pelo povo sofrido da capital ao Bico do Papagaio e deixou boas lembranças do tempo em que atuou no social. E o que há contra ela? A história dos presentes, jóias e lingeries publicadas pela Veja, por denúncia da antiga assessora. Sabendo disso, gente influente já teria acionado seus contatos para relembrar, nas mesmas páginas da conceituada revista, o que houve de errado nas operações do gabinete da ex-primeira dama.
Portanto, assistam as cenas dos próximos capítulos das Eleições 2010 no Tocantins - mais intrincados que qualquer enredo global – e que com certeza trarão novos lances do fogo amigo, e do fogo inimigo que já arde contra Marcelo.
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