Caminhadas valem pela imagem, mas voto que é bom...

Fui à caminhada do candidato a governador Siqueira Campos (PSDB) hoje em Taquaralto. Como também tenho acompanhado eventualmente o governador Carlos Gaguim (PMDB). A sensação que fica, pelo menos na capital, é que já não se fazem caminhadas mais como...

Acompanho campanhas de dois em dois anos no Tocantins desde 1992, primeira de prefeito que vivi na capital. Em todas elas participei das famosas caminhadas. E como elas mudaram com o tempo! É compreensível. Palmas cresceu, as campanhas evoluíram nos meios de comunicação, e a necessidade de produzir imagens fortes, impactantes, para os jornais, internet e principalemnte para a tevisão aumentou.

Por isso, pelo menos na capital e nas maiores cidades do Estado, foi decretada a extinção da boa e velha caminhada de antigamente. Aquela em que o candidato andava na frente e a militância esperava na porta para não “invadir” literalmente lojas e casas. Aquela que o candidato pegava na mão do eleitor e pedia o voto.

Ninguém duvida que ela é mais difícil, desgastante sob o ponto de vista físico e emocional - afinal nem todo eleitor recebe bem os candidatos – mas muito, muito mais produtiva que os atuais “arrastões”.

Eleitor de longe, só olha

Nas caminhadas/arrastões de hoje em dia, a claque dos candidatos toma conta das ruas. Eles vêm com as bandeiras - já que as camisetas com nomes estão proibidas –e as cores: Marcelo Lélis e verde já são sinônimos. Quem tem claque maior se destaca, com os nomes expostos nos pirulitos, ou nas próprias bandeirolas.

Hoje, como em outros dias, em outras caminhadas, com o governador e candidato à reeleição, vi eleitores olhando de longe. É difícil se aproximar dos candidatos. É quase impossível tocá-los. Pelo menos nas mega caminhadas que se vê em Palmas, e nas maiores cidades do Estado. Caminhada como antigamente só no interior. Será que isso é bom?

Sei que as imagens, terrestres e aéreas das caminhadas de hoje em dia impressionam. Nas conversas de padaria, na mesa do bar, no salão de beleza, os adeptos de cada candidato discutem entre si: “Você viu quanta gente tinha com o Siqueira?”, e o outro responde: “ah, mas tinha mais com o Gaguim”. E por aí vai embora a discussão. Ninguém consegue ter razão por que os números divulgados pela PM estão a cada dia mais inacreditáveis.

Não sei não, independente da quantidade que cada candidato reúna para caminhar em torno de si, não vejo grande vantagem nisso. Vale a imagem, vale a impressão que causa, mas caminhada como as de hoje em dia, não vale voto não.

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