No rol das centenas de comentários que chegam todos os dias ao Site Roberta Tum, estão alguns bastante articulados e inteligentes. Li um, do Dr. Odir Rocha, ex-prefeito de Palmas outro dia em que ele lançava o PSN – Partido Saladista Nacional. Segundo ele, o eleitor vem montando sua própria chapa, independente de partido, numa verdadeira salada geral, em que escolhe pessoas e não grupos.
Até aí tudo bem. Não é de se esperar outra coisa do eleitorado brasileiro, a não ser que escolha nomes, por sua simpatia, já que os partidos foram transformados mesmo em siglas, e as pessoas se agrupam neles mais por interesses comuns e necessidades diversas, do que propriamente por alguma ideologia.
Mas em política, toda ação tem uma consequência: nada é em vão. E quando os políticos, líderes filiados a algum partido, que decide formar uma chapa numa convenção, através das coligações, começam a variar demais de posição, o caso é preocupante. Conversando com o deputado Eduardo Gomes outro dia sobre a sucessão, ele me disse que não tinha intenção nenhuma de descolar sua imagem da de José Serra, candidato a presidente de seu partido, por que este estivesse mal nas pesquisas. “Aprendi a fazer política marcando posição. Eu sou Serra, e acho que isso não me prejudica com o eleitor”, me disse.
É uma prova de coragem alguém manter uma posição diferente da que a maioria defende. Mas é fundamental, por que cada grupo representa, no fim das contas, modos diferentes de administrar as contas públicas, jeitos diversos de promover o tal desenvolvimento. E se um modelo fracassar? Quem terá moral de dizer que defendia outro, se no fim ficou todo mundo embolado?
Primeiro João, agora Vicentinho
O fato novo desta semana na disputa eleitoral no Tocantins é que está oficializada a liberdade geral para apoiar quem quer que os candidatos queiram. O crescimento das intenções de votos do senador João Ribeiro (PR) está inegavelmente ligado ao movimento de adesões em torno do seu nome nos últimos dez dias. A pesquisa reflete isso, agregado, é claro, ao patrimônio eleitoral que ele já tinha.
E agora começa um movimento pró Vicentinho. E vejo isso começar da base, dos vereadores, desde Palmas até o Bico do Papagaio. Com seu jeitão de tocantinense pacato, bom de convivência, amigo, Vicentinho vai chegando, vai chegando, e não estranhem se dentro de uma semana estiver consolidado como terceiro colocado em todas as pesquisas.
A discussão agora é como fica esta chapa, montada ontem com toda sinceridade pelo deputado Osvaldo Reis, ao falar comigo? Dilma unanimidade nacional na cabeça, Gaguim (para peemedebistas, petistas e aliados), os dois senadores do PR votados e apoiados por aliados do governador, e os federais e estaduais, conforme o agrado de cada um. Para o eleitor, ótimo, mas para a classe política, soa estranho demais. Até por que ela só existe com esta elasticidade toda do lado da Força do Povo. No outro extremo, na TLS, ninguém quebra a chapa na hora de pedir voto. Exceção feita, é evidente, para dona Dilma.
A mistura de todos é pior pra quem?
Há quem diga que a quase unanimidade de João Ribeiro pairando acima dos partidos e misturando aliados, prejudique Gaguim. Há quem diga que abala Siqueira. Não vou arriscar palpite - ainda - sobre o resultado eleitoral disto. Mas uma coisa eu tenho certeza: abala a candidatura de Marcelo Miranda. Esta sobre a qual já pairam dúvidas. Se o crescimento de João vier seguido, como já se anuncia, do crescimento de Vicentinho, sepulta as chances de eleição de Paulo Mourão. E os dois, é claro, só tem um candidato a governador: Siqueira.
Lembro de um tempo, na minha infância e adolescência, que os políticos, quando adversários, se tratavam com respeito, pela formação e regras de civilidade. Mas na hora do embate eleitoral, estava cada um posicionado do seu lado no campo de batalha. Primeiro em duas correntes Arena e MDB. Depois com a abertura política e a reforma partidária, PFL, PMDB, e a esquerda brasileira encarnada no vermelho do PT, PC do B, PCB.
Agora, está cada vez mais à moda da música: é tudo junto, e misturado. Será que é bom? Será que o eleitor vai entender? Só o tempo tem a resposta.
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