Contendo gastos, governador mexe no escritório de representação, mas falta cortar excessos

O governador Carlos Gaguim determinou onze exonerações no escritório de Representação do Estado em Brasília. Elas estão publicadas no diário Oficial de ontem. A medida causou revolta hoje entre os funcionários, que seguem trabalhando em jornada integ...

O Diário Oficial de ontem, dia 18, trouxe em sua página 2, onze exonerações de servidores do escritório de Representação em Brasília. São cargos comissionados, os chamados DAS, dados a pessoas que trabalham, efetivamente. Da lista dos demitidos apenas um servidor não foi encontrado. Está lotado lá, mas ninguém sabe dizer onde trabalha. As exonerações geraram revolta entre os servidores que são efetivos, mas perderam as comissões: prejuízo entre R$ 500 e R$ 800 em seus salários líquidos.

De fontes que preferem não ser identificadas por motivos óbvios, tivemos acesso a outras informações sobre gastos excessivos, que poderiam ser cortados. Exemplo: são quatro carros oficiais no escritório. Eles deveriam atender o governador, os secretários, enfim: servidores públicos de alto escalão, em viagem à trabalho, cumprindo missão oficial. Mas não é assim. Segundo relatos de dentro do escritório “qualquer um que chega em Brasília”, tem carro do escritório à disposição. Qualquer um entenda-se, com recomendação.

E aí se vão R$ 4 mil reais por mês em média com gasolina. Detalhe: quando assumiu o governador Carlos Gaguim mandou recolher os carros oficiais na Garagem Central do Estado, baixou normas de contenção de despesas, proibiu carros de representação. Lá em Brasília os quatro funcionários vão para casa nos finais de semana com os carros. Os quatro. Não dá para entender a necessidade.

Equipe de transição não acha lotados

Voltando aos que não trabalham. É possível entender que alguns servidores na folha não estejam em seus locais de lotação trabalhando. Existem os cedidos, existem os rodízios em determinados setores, há também aquela situação criada com o meio expediente, de faltar mesa e cadeira para todos trabalharem, e com isso a necessidade de um revezamento.

O que não é compreensível, com toda boa vontade é o caso, por exemplo, da Adtur. A equipe de transição chegou por lá ontem com uma lista de 119 nomes. É a lotação da agência. Mas lá, segundo informou uma servidora por telefone hoje ao Site Roberta Tum não trabalham mais do que 60 pessoas. “A estrutura do prédio nem comporta”, contou.

Hoje também, veio a informação de que o governador exonerou aquele ex-prefeito denunciado na PRE e que era diretor na Jucetins sem nunca ter trabalhado. O que não sabia o número do seu ramal, nem o nome de um colega de trabalho. A dúvida é: quantos como ele foram nomeados mas nunca trabalharam? Com certeza o governo tem como levantar isso sem a ajuda da PRE.

Cortar o supérfluo, manter o essencial

Penso que a sociedade não condena os cortes necessários que tenham que ser feitos para o ajuste fiscal do governo. Pelo contrário, até aprovaria. Desde que os cortes sejam feitos nos gastos desproporcionais, no excessivo e no injusto. Tirar a gratificação de quem trabalha e muito, por exemplo, é uma economia sem muito sentido. Diferente de cortar luxos, como levar o carro para casa no fim de semana. O próprio Gaguim tem esta lógica. Pelo menos foi o que demonstrou quando assumiu o governo.

Cada DAS exonerado, segundo a determinação da justiça naquela decisão do STF deve ser automaticamente extinto. Se seguir assim, especialmente em locais estratégicos como o escritório de Representação, o governador atual vai criar para seu sucessor uma situação difícil, mas administrável. O prejuízo maior terminará sendo para o servidor. Que trabalha. Mais uma nota melancólica a ser acrescentada neste fim de ano e de governo.

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