De volta à planície, o retrato do PT e o dilema de Raul no Tocantins pós-eleição

Há muito que falar e analisar sobre o resultado das urnas no último domingo, 3. Nesta quarta-feira, 6, passada a ressaca do resultado de lado a lado, cada grupo faz suas contas, analisa perdas e danos e toca o bonde rumo ao segundo turno das eleições...

O saldo final do PT, apurado o resultado das urnas no final destas eleições no Tocantins é interessante por revelar um extrato nítido do jogo de forças dentro da legenda. O comando de Donizete Nogueira, presidente licenciado até amanhã, quinta-feira, 7, quando deve reassumir a presidência regional, saiu fortalecido da disputa interna que provocou o racha logo depois do anúncio da candidatura de Paulo Mourão ao Senado.

A divisão provocada pela forma como aconteceu a mudança de candidatura própria ao governo, para aliança com candidatura de Mourão ao Senado, é responsável pelo resultado das urnas. Exemplo claro disto é o quarto lugar na disputa, alcançado pelo candidato Paulo Mourão. A militância do PT, unida, poderia ter lhe garantido no mínimo, o terceiro lugar, e uma eventual ascensão ao cargo em caso de nulidade dos votos do segundo colocado. Mas não foi assim que aconteceu.

Sem entrar nos motivos, conhecidos de forma superficial pelo grande público, e compreendidos a fundo pelos militantes e lideranças petistas, vamos ao resultado. Comandando a ala majoritária, Donizete Nogueira mostrou que é o homem dos votos da militância histórica do partido. Sua votação surpreendeu ao ultrapassar a casa dos 25 mil votos. Mais que o dobro do segundo mais votado no PT, o ex-deputado federal Darci Coelho, candidato do prefeito Raul Filho.

Rompidos, Donizete e Raul, não há dúvidas de que o primeiro tem o comando do partido, e o prestígio que se traduz em votos junto à militância. Raul por sua vez elegeu a mulher, Solange, acima da casa dos 20 mil votos. Mas foi só. Os dois deputados eleitos além da primeira-dama, são do PT de Donizete: Amália Santana e Zé Roberto do Incra (que eu já dizia aqui desde a primeira análise sobre a Assembléia, que poderia surpreender).

E agora, Raul, para onde?

À moda do poema de Carlos Drummond de Andrade que terminava com a famosa frase, “E agora, José, para onde?” resta saber o que acontecerá com Raul e o PT. Expulso por ter apoiado João Ribeiro, ele não será. Não há clima para isto nem aqui, e muito menos alhures, na nacional do partido. Se permanecer no PT confiando em que poderá garantir seu espaço lá na frente, após deixar a prefeitura e ficar dois anos sem mandato, Raul estará assinando encerramento melancólico de sua vida pública.

Por outro lado, se resolver tomar outro rumo, precisa ser articulado, e dar um choque de gestão no seu governo. Choque duplo: administrativo, e político. É nítido para quem acompanhou a grande composição que precisou ser feita para a vitória de Raul em 2008, que ele ficou refém dos acordos políticos. Quando cobra resultados de secretários que não têm o menor medo de ser demitidos, o prefeito parece falar para as paredes.

Se retomar as rédeas da sua administração e for à luta nos dois anos que faltam para encerrar seu mandato, o prefeito Raul ainda pode recuperar o brilho da grande liderança que é. Caso contrário, em 2014 teremos novamente dois candidatos: um do grupo que agora volta ao poder, e outro do PMDB. Caso isso se confirme, novamente veremos a cena atual em que Raul e o PT, perderam o bonde e a esperança de fazer história.

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