Dias amargos na reta final retratam fragilidade do PT e suplício de Mourão

Acompanhando o governador Carlos Gaguim sexta-feira passada em Araguaína, assisti algumas cenas do que considero dias amargos para o candidato a senador pelo PT, Paulo Mourão. Nesta segunda, 13, vamos assistir mais um capítulo desta tumultuada histór...

O Partido dos Trabalhadores no Tocantins deve muito a Donizete Nogueira, que disputa mandato de deputado federal em sua estréia numa eleição. Negar isto seria negar o histórico de construção do partido, e de sofrida resistência para mantê-lo nas últimas décadas no Estado. O crescimento do PT no Tocantins sempre esteve profundamente ligado às decisões tomadas por sua direção e ao que ela soube ou não enxergar no momento exato da história onde todo o futuro se definiria.

Nestas eleições o PT, com Donizete, Raul e Mourão ensaiou um discurso e uma prática.Ter candidato próprio, manter um plano de governo discutido com a sociedade, fazer a diferença. Mudou de prática e de discurso nos 45 do segundo tempo e vai vivendo um processo de dilaceramento em praça pública. Tudo isso me veio à cabeça depois de assistir nos últimos doze dias algumas cenas que, sinceramente, não sei como Paulo Mourão tem conseguido suportar. É lógico que a gente sempre vive as conseqüências de nossas ações, ou falta de ação, em alguns casos.

Não se trata de sentimento de piedade (antes que algum internauta me interpele por isso). Trata-se da constatação pura e simples de que é esfacelamento demais para um partido e no caso para seu representante, nesta chapa majoritária da Força do Povo. Vamos aos fatos: eles sempre falam mais.

Do Taquari a Araguaína, passando por Jr. Coimbra

Na 305 Norte, conforme relatei aqui, vi o governador Carlos Gaguim pedir no palanque ao vereador Folha, de Palmas, que pedisse voto para o senador Paulo Mourão. Folha se recusou. Depois o líder do PTN na capital me disse que só não pediu para João Ribeiro por respeito ao palanque, que tinha o governador e o próprio candidato ao Senado presentes.

Raul Filho (PT), um dos protagonistas desta história, marcou cena logo em seguida, no Taquari, onde nem a presença de Gaguim, ou de Marcelo, ou do próprio Paulo impediu de pedir os votos de senador para Ribeiro. O líder do PR por sua vez arrebanhou no seu programa eleitoiral depoimentos que foram de Padilha a Mercadante. Um show de articulação em nível nacional.

Em Araguaína, no Frigorífico Minerva, Paulo chegou depois de Gaguim, se posicionou ao lado do governador, mas não usou a palavra para pedir votos. Depois, logo à noite, seguiu com o governador pelos diversos eventos marcados. Na reunião do vereador Jorge Frederico, ouviu o anfitrião falar até o final... e nada do pedido do voto para senador. Francamente. É uma sucessão de constrangimentos. A declaração de apoio do presidente da Assembléia Legislativa, Júnior Coimbra (PMDB) ao senador do PR já tinha vindo, bombástica, definitiva no final do feriado. E Coimbra, como todos sabem é um ícone dentro do governo, com peso indiscutível.

Cobrança do PT e aliados provoca resposta de Gaguim

A mim, Paulo disse na sexta-feira em Arguaína, que Gaguim tem cumprido todos os compromissos que fez com ele e com o PT, e que tem cobrado “responsabilidade” dos companheiros. No mesmo dia, em Palmas, Herlan – porta voz do verdadeiro presidente Donizete – movimentava o PC do B e PRP para uma reação e uma cobrança ao governador pela sangria desatada que se tornou nos últimos dias as declarações seguidas de apoio a Ribeiro como segundo senador dos peemedebistas.

A cobrança dos aliados, por uma fidelidade dos peemedebistas que o próprio PT não dá a Mourão, “espanou” o governador, que em entrevista ao Site RT já deu logo seu recado: “eles que cobrem primeiro os ministros do governo Lula, o líder do PT, o prefeito da capital”... e por aí foi. A resposta de Gaguim seguiu na mesma linha da resposta de Júnior Coimbra ao Portal CT.

A tudo Mourão tem respondido que “faz parte da política”. Na reunião desta noite, vamos ver como tudo se ajeita. O tom do presidente interino do PT é de ameaça. Rever posicionamento a esta altura do campeonato, com o governador apoiado pelo presidente Lula na frente nas pesquisas de opinião? Soa como um blefe, ou brincadeira de mal gosto. Para onde iria o PT? Ou melhor, para onde iria a direção do PT, que tomou sozinha uma decisão contrária a que a militância referendou em convenção.

Decisão traumática, diga-se de passagem, pelos efeitos colaterais que teve e ainda hoje repercutem na mídia. O PT, na verdade, esfacelou-se nesta eleição na semana em que aderiu à Força do Povo. Não pela adesão, que obedeceu à lógica política, mas pela forma extremamente mal conduzida como as coisas foram feitas.

Agora, fica Paulo Mourão sucessivamente desrespeitado e constrangido no palanque que compõe, e cada um por si na chapa proporcional buscando reeleição. Foi-se a unidade, foi-se o bom discurso e ficaram as dúvidas, muitas dúvidas minando a representação petista na majoritária. Na reta final, os dias amargos vividos pelo candidato a senador, são reflexos de tudo que já aconteceu nesta história até aqui. Já não resta dúvidas de que é um espetáculo pra lá de deprimente ver o que acontece hoje ao PT no Tocantins.

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