No campo das probabilidades, uma composição do Partido Progressista (PP), com o PMDB pode selar a derrota do senador João Ribeiro (PR), no projeto de reeleição e abrir uma grande possibilidade para o PT eleger o primeiro senador ou senadora, da história do partido, no Estado do Tocantins. Basta que, para tanto, o PT não repetir o gesto tresloucado de Ary Valadão nas eleições de 1.990 e aceitar compor com o PMDB ocupando a segunda vaga ora preenchida pelo senador Leomar Quintanilha (PMDB). Por sua vez, Quintanilha, refluiria de seu projeto de reeleição ao senado para concorrer a uma das oito vagas de deputado federal.
O bom político precisa ter autocrítica e considerar que o poder desgasta. Os políticos mais antigos e mais experientes, diziam que “não se faz política sem vítima”. Mas neste caso, Leomar Quintanilha não seria uma vítima. Ao contrário. Quem o conhece bem, sabe que ele não perderá a oportunidade de ajudar o companheiro Carlos Gaguim, com esse gesto de grandeza. Ele não seria vítima, repito. Seria, sim, um grande colaborador, pois, com um gesto de tamanha grandeza, Leomar estaria contribuindo para que seu amigo Carlos Gaguim encurtasse o caminho para a reeleição.
Um fato que me leva a crer na possibilidade real do senador Leomar refluir do projeto de reeleição é uma curiosa avaliação feita por peemedebistas do interior do Estado, por onde o senador peregrinou em companhia do ex-governador, Marcelo Miranda (PMDB), nas últimas semanas. De acordo com alguns líderes, tem sido frequentemente visível, o “desconforto” do senador, quando ele percebe que populares se dirigem mais ao seu companheiro de jornada, Marcelo Miranda. “A partir daí, o senador Leomar fica retraído”, dizem. Segundo as lideranças com quem conversei, a “retração” do senador é perceptível até mesmo nos discursos. Conhecido como um bom tribuno, por conta de um discurso vibrante, o senador peemedebista não estaria empolgando, passando uma imagem “dispersa”. “Não se trata de rejeição, mas é que o Marcelo a gente conhece mais”, explica uma liderança, procurando justificar uma maior identidade com Marcelo.
Soma-se ao “desconforto” e à “retração” do senador Leomar Quintanilha, o fato do PMDB buscar uma composição com o Partido dos Trabalhadores. O PT descartou o interesse pela vaga de vice, mas não a senatória. E o desinteresse do PT pela vaga de vice é bem anterior ao anúncio informal de uma possível composição entre a ex-prefeita de Araguaína, Valderez Castelo Branco (PP), e o governador Carlos Gaguim (PMDB) na pré-candidatura à reeleição.
E porque a vaga de senador deve interessar ao PT? Porque a possibilidade da coligação peemedebista eleger os dois senadores é real; porque ao ser obrigado a migrar do projeto tucano para o peemedebista, o PP causa estrago maior ao projeto de reeleição do senador João Ribeiro, confirmando as previsões do deputado Raimundo Palito (PP). Segundo maior colégio eleitoral do Tocantins e o maior da região norte, Araguaína é a maior base eleitoral do senador, mas também é a maior base eleitoral da ex-prefeita Valderez Castelo Branco e do deputado federal Lázaro Botelho (PP), e que, agora, como ex-cabos eleitorais, devem trabalhar contra a reeleição de Ribeiro. Não bastassem os prefeitos do PR em fase migratória para a base de Gaguim (PMDB).
Junte-se a todos a esses argumentos, a desenvoltura de Marcelo Miranda (PMDB) para o senado. Pesquisas para orientação interna do partido estariam demonstrando que no cenário atual, ele tem a preferência disparada do eleitor, podendo inclusive, puxar para a eleição, o segundo colocado na coligação. Confirmada essa tendência, o PT, teria então eleito, um senador, ou senadora, que tanto pode ser a deputada Solange Duailibe, quanto Paulo Mourão. Sem contar que coligado com o PMDB, o PT tem muito mais chances de eleger deputados federais, do que sozinho.
Dizia um jornalista, assassinado pela ditadura Chilena que: aquele que esquece ou ignora o passado estará condenado a repeti-lo. Assim, é bom não esquecer que o ex-governador Ary Valadão, no processo eleitoral de 1990, tinha tudo para se eleger senador com facilidade. Bastava refluir de sua aventureira candidatura ao governo. No entanto, ele persistindo nela, perdeu o governo e permitiu que a eleição de João Rocha para o senado.
PT, juízo! O partido não precisa reeditar a história protagonizada por Ary Valadão em 1.990. Com voz rouca eu poderia dizer que “nunca na história do Tocantins, o PT teve tanta oportunidade de eleger um senador” e de fazer história.
Gilvan Nolêto – Jornalista
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