O representante comercial, Cícero Teixeira de Carvalho, denunciou ao Site Roberta Tum que exames feitos por sua esposa, Tatiane Schenfeld Ferreira, por meio da rede pública de saúde do município e do Estado apresentaram resultados equivocados. Os exames foram feitos por meio dos laboratórios Imuno (prestador de serviço do sistema público de saúde municipal) e Med Labor (prestador de serviço do sistema público de saúde do Estado). Os dois laboratórios pertencem ao grupo Dasa de laboratórios.
Segundo Cícero, sua esposa, que tem 30 anos e apresentava sangramentos constantes, realizou três exames ginecológicos preventivos pelo laboratório Imuno que deram negativos para Neoplasia, câncer de útero, contudo um exame realizado menos de um mês depois, em outro laboratório, deu positivo para a doença, sendo que a enfermidade já estaria nos graus II e III, estágios avançados.
Os exames foram realizados em 2009 e Cícero afirma que se a doença tivesse sido detectada pelos exames que foram feitos anteriormente repetidas vezes pela rede pública, sua esposa poderia ter se tratado antes da doença estar em estágio avançado, como ocorreu.
“Estou fazendo essa denúncia porque quantas pessoas utilizam o sistema de saúde público e não sabem o que está acontecendo, pois essas mesmas lâminas que tinham dado resultado negativo foram examinadas de novo, depois que ela fez o exame em um laboratório particular, e o resultado é que havia alterações. Como pode três exames terem dado negativo e depois as mesmas lâminas tendo sido reexaminadas darem alterações. Minha esposa poderia ter morrido se nós não tivéssemos procurado outro laboratório”, enfatiza Cícero, que apresentou os exames feitos por sua esposa.
No HGP outro erro
De acordo com Cícero, após todo o problema enfrentado na rede pública municipal e de novos exames confirmarem a doença de sua esposa eles foram encaminhados ao HGP. A esposa de Cícero deveria passar por uma cirurgia de retirada do útero, devido à doença já estar em estágio avançado. Cícero conta que o médico responsável solicitou exames pré-operatórios, sendo que o exame realizado pelo laboratório Med Labor apontou que o tipo sanguíneo da paciente era AB positivo, mas o tipo sanguíneo, de acordo com outro exame apresentado pelo esposo da paciente, é AB negativo.
“Quando nós vimos que o resultado estava errado, nós procuramos saber e o laboratório pertencia à mesma rede do outro que fez os exames pelo município. Então eu peguei a minha esposa e fui procurar tratamento em outro Estado, porque tive medo de deixar ela aqui. Como eu ia confiar depois de quatro erros na mesma pessoa? Se ela recebesse o sangue errado ela ia morrer”, afirmou Cícero, que contou que sua esposa acabou realizando a cirurgia de remoção do útero em São Paulo. “Estou denunciando o que aconteceu para as pessoas ficarem atentas, pois as pessoas procuram os exames na rede pública porque precisam”.
Sindicância
Após todo o trauma passado por sua esposa, Cícero conta que procurou a Secretaria Municipal de Saúde do Município e do Estado para que fossem instauradas sindicâncias para verificar o ocorrido e aplicar as sanções cabíveis aos laboratórios. Cícero também registrou um Boletim de Ocorrências na Delegacia Especializada da Mulher para que o caso seja investigado criminalmente. “Queremos que tudo seja esclarecido e que os laboratórios assumam os equívocos. Não é porque um serviço é público que pode ser feito de qualquer jeito. O Município e o Estado têm que aplicar as sanções para que isso não volte a acontecer”, frisou Cícero, que também contou que devido a tudo que aconteceu sua esposa apresenta quadro de depressão.
Em busca de auxílio do Estado
Segundo Cícero, após sua esposa ter realizado a cirurgia em São Paulo ela deve fazer um retorno para acompanhamento de três em três meses, mas a família não tem condição financeiras de pagar as viagens. “Nós estamos buscando esse auxílio na Secretaria de Saúde do Estado. Ela precisa ser acompanhada pelo médico que fez a cirurgia, mas eles disseram que ela tem passar por uma avaliação de um médico daqui para saber se realmente é necessário o retorno ou se ela pode ser acompanhada aqui, mas nossa preocupação é com tudo que já aconteceu, com os problemas nos outros exames. Ela tem que ser acompanhada por quem fez a cirurgia, quem fez que tem a responsabilidade”, concluiu Cícero, que disse aguardar uma resposta da Secretaria a respeito do caso de sua esposa.
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