As eleições de 2010 estão muito distantes do cenário vivido no Tocantins de 2006. Digo isso friamente ao fazer uma análise dos fatos que possivelmente vão nos levar a um embate entre o ex-governador Siqueira Campos (PSDB) e o atual governador Carlos Henrique Gaguim (PMDB).
O nome mais forte do PT para o governo era o do prefeito Raul Filho (PT). Desde que anunciada sua decisão de ficar à frente do mandato de prefeito - direito que obviamente lhe assiste – poderia se pensar em que nomes o PT tem para lançar em seu lugar.
Sem desmerecer o ex-deputado federal Paulo Mourão, ou a deputada estadual Solange Duailibe, não se percebe densidade eleitoral em torno dos seus nomes para o enfrentamento de Siqueira, ou Gaguim. Este último não é forte por si só, ou pelo histórico de votos que teve nas últimas eleições em que concorreu a deputado estadual.
Gaguim representa a força da estrutura de governo, que maneja sob a tutela da legitimidade constitucional, por mais que sua eleição tenha sido indireta, para um mandato tampão, numa fase transitória da história política do Estado.
Como foi 2006
Em 2006 eram três candidatos: o velho Siqueira, o então governador Marcelo Miranda, e o senador Leomar Quintanilha, pelo PC do B. O ex-governador, que tinha feito o sucessor antes do rompimento, pleiteava o retorno ao Palácio Araguaia. Começou a campanha com 68% contra 17% de Marcelo.
Quatro anos depois, Siqueira Campos volta à disputa com o sentimento de resgate de uma eleição perdida, que considera “roubada”, pelo abuso do poder político conferido pela máquina administrativa. Ninguém sabe hoje quanto ele realmente tem das intenções de voto, já que não existem pesquisas recentes. Nas últimas divulgadas, estava na frente, na casa dos 35%.
Por conta do quadro das eleições passadas tenho ouvido dizer que Siqueira Campos já teve mais, e que não é difícil derrotá-lo. Discordo do argumento propagado principalmente entre os aliados do governo. Desde que lançou seu nome, o ex-governador só vem juntando em torno de si políticos e lideranças. É sempre bom lembrar que 2010 não é 2006, e por várias razões.Esta será uma eleição difícil para os dois candidatos que disputam o favoritismo do eleitor.
Como será 2010
Digo que será difícil para os dois por motivos diferentes. Ao ex-governador Siqueira Campos caberá vencer alguns desafios. Primeiro, o eleitorado jovem não o conhece de fato. Só sabe o que ouve dizer, e nem sempre se diz dele coisas positivas. Seu temperamento forte tem sido usado pelos adversários para fortalecer a pecha de “autoritário” . Mostrar que os anos fora do poder conferiram amadurecimento ao velho guerreiro no trato com companheiros e adversários, é uma das missões de Duda Mendonça.
Segundo, o temor da idade avançada vai ser utilizado durante a campanha, em que sua capacidade física será colocada à prova. Cito como principais estes dois argumentos, considerando que até os adversários reconhecem a capacidade administrativa, o projeto de futuro, e o comprometimento do ex-governador com os interesses do Estado acima dos seus.
Já o governador Carlos Gaguim tem outros desafios. O governo lhe veio num momento de oportunidade única, em que ele era o homem certo, no lugar certo, com as condições necessárias para arrebanhar aliados. Mas a maioria do eleitorado tocantinense não o conhece. Após assumir Gaguim tomou atitudes controversas no campo político e administrativo nos últimos meses, e por isto caberá ao responsável por sua campanha, mostrar que o balanço da gestão do governador foi positivo para o Estado.
Gaguim terá ao seu lado, alguns dos benefícios que ser governador lhe confere, a exemplo da exposição na mídia. Isso além da estrutura de poder e suas moedas de troca: nomeações, obras, programas sociais. Terá que provar ao eleitor tocantinense que tem equilíbrio emocional e capacidade administrativa para ser governador por mais quatro anos, desta vez pelo voto popular.
A polarização evidente
Não vejo espaço neste contexto para que outro nome do PT se firme. A experiência de Leomar pelo PC do B demonstrou que quando há duas grandes forças em combate elas acabam atraindo para si - pela possibilidade de vitória – os indecisos. Raul sim tinha histórico, discurso e militância para garantir uma parcela considerável do eleitorado e provocar um segundo turno.
Com a saída dele, no cenário atual, só restou a senadora Kátia Abreu, do DEM com musculatura para defender candidatura própria. Sua proximidade com o ex-governador Siqueira Campos – que não abrirá mão de disputar o governo – e a já anunciada aliança com o PSDB, no entanto, descartam a hipótese de que ela se lance num vôo solo.
Ao que tudo indica, no dia 3 de outubro deste ano, os tocantinenses vão escolher entre Siqueira e Gaguim. O primeiro já não traz a força do mito que trazia em 2006. E o segundo estará impedido pelos recentes fatos que levaram à cassação de Marcelo, a usar demasiadamente do poder da máquina.
O dia das definições ainda está distante. E até que 3 de junho chegue - prazo máximo para realização de convenções - vamos ver se muita coisa ainda poderá mudar.
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