A Comissão Sindicante nomeada pelo então reitor André Luiz de Matos Gonçalves em março de 2010 não conseguiu ter acesso aos 9.129 recursos apresentados pelos candidatos sobre itens que contestaram nas provas. Os recursos em papel desapareceram e o que restou foram arquivos em dois CD’s, com as respostas da Fundação Universa aos recursos dos candidatos.
Contratualmente, caberia à Universa guardá-los pelo prazo de dois anos (encerrado em fevereiro último), mas quando dois membros da comissão foram à Brasília para buscá-los, foram recebidos com surpresa pelo diretor da Fundação Universa.
“Inicialmente o sr. Alessandro, muito preocupado afirmou não saber onde estavam os aludidos recursos” - conta trecho do relatório – depois teria questionado a legitimidade dos sindicantes e disse que só se reportaria ao reitor da Unitins. Foi acordado que o reitor encaminharia um ofício legitimando os sindicantes, que deram 24 horas para apresentação dos recuros. O diretor ainda tentou argumentar que entregaria os documentos depois, via sedex, fato que não foi aceito pela sindicante.
“No dia seguinte apareceu um diretor institucional, Sr. Arlindo, com o ofício pedindo dilação de prazo”, conta o relatório. Os dois membros da comissão que foram à Brasília retornaram sem o documento. Em ofício encaminhado depois à Unitins, o representante da Universa afirmou que caixas contendo os originais dos recursos haviam sido entregues em Palmas, numa reunião na universidade.
Universa alega que entregou recursos originais
No ofício encaminhado à comissão, o diretor da fundação Universa afirma que “em 24 de março de 2009, o coordenador pedagógico da Universa, Vilmondes Rocha embarcou para Palmas, onde foi recebido pelo representante Aroldo Pretto”. O material separado por cargos em caixas de papelão, que havia sido supostamente embarcado como bagagem comum, teria sido transportado no veículo do diretor.
“Todo material foi entregue nas dependências da Fundação Universidade do Tocantins e acondicionado em um armário, em uma sala contígua à sala onde foi realizada a reunião. Ao longo da reunião foram realizadas algumas fotografias por uma assessora da reitora”, relata do representante da Universa afirmando que na reunião estavam presentes a então reitora, Juscilene Borba e a sub-secretária de Administração, Denise Beltrame, entre outros.
Ex-sub secretária nega ter recebido material
Ouvida pela comissão, Denise afirmou que nunca esteve presente em reunião com o objetivo de receber os recursos, e que sua participação no certame aconteceu com o objetivo de subsidiar a Unitins - contratada para realizar o concurso – na elaboração do edital.
Num dos trechos de seu depoimento, a ex-sub secretária afirma “que não tem conhecimento do retorno desses recursos físicos para a Unitins; que não estão sob sua guarda e que nunca esteve na sede da Unitins para receber os recursos físicos”. A comissão sindicante não ouviu a ex-reitora Juscelene Borba sobre o assunto e apontou no relatório final que a impossibilidade de ter acesso aos recursos atrapalhou o trabalho da equipe.
Na página 275 do relatório final fica claro: “tal episódio prejudicou a apreciação dos recursos pelos membros da sindicância, porém, não deixou de evidenciar, no mínimo, a negligência da Fundação Universa com relação a documentos referentes ao certame;
O desaparecimento destes documentos soma-se à série de falhas cometidas pela Fundação Universa ao longo do certame que causaram prejuízo aos candidatos a cargos em nível médio, e à alguns cargos de nível superior. Ao final do relatório da comissão, uma tabela em cores aponta o grau de comprometimento em percentuais das provas para cada cargo.
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