Gaguim e Siqueira ajustam rua, programa e palanque para o duelo final: vai ser briga de gigantes

Ouvi de um marqueteiro nos bastidores de um dos comícios da semana que a campanha de fato, dura e decisiva começa agora, faltando 16 dias das eleições. Tudo até aqui, na visão dele, foi preparatório. Agora, cada dia é tenso e pode trazer muitas surpr...

Estou notando um movimento nas duas campanhas nesta semana que precede a reta final das eleições. De lado a lado, de olho nas pesquisas externas, mas especialmente nas de consumo interno e nos grupos da qualitativa, marqueteiros reavaliam os programas de TV, e acertam os passos.

De olho nas confusões entre aliados, briga por recursos materiais e por espaço político, as coordenações fazem seus ajustes e correção de rumo. Poderia aqui listar os erros que vejo nos bastidores das duas campanhas, mas prefiro evitar por dois motivos: todo mundo se dói no final e se sente prejudicado com observações críticas, por melhor intencionadas que sejam. Assim, vou voltar meu foco na reta final, para informar você, leitor, sobre o que cada grupo está fazendo para tentar acabar com o empate técnico e decidir a eleição.

Digo empate técnico novamente não com base no Serpes, no Ibope, ou em qualquer pesquisa publicada. Falo da rua, onde Gaguim tem vantagem sobre Siqueira na estrutura, na mobilização, no número de prefeitos e lideranças, e com certeza em alguns pontos da preferência manifestada por eleitores. Quantos pontos é que é o motivo de discórdia e desacerto entre os resultados dos vários institutos. Mas vamos à radiografia de cada coligação hoje.

Gaguim sacode coordenadores, e põe ordem na baderna do Senado

Miraram na fragilidade de Mourão, e atingiram por atacado Marcelo. É esta a leitura que faço das últimas movimentações em torno de apoios a candidato ao Senado da chapa adversária, por parte de deputados da Força do Povo. A coisa toda começou por que diante da falta de articulação de Paulo Mourão dentro do seu grupo (não sou eu quem estou falando, ele próprio admitiu aqui), deputados do PMDB começaram a tomar café, almoçar e jantar com João Ribeiro (PR).

Da base de Lula, amigo dos prefeitos, João é experiente, inteligente e está preparado para custear sua campanha. Exemplo? Ganhou o apoio dos vereadores de Palmas ligados a Raul. Sem querer apoiar Siqueira, eles pediram material diferenciado, sem o nome do cabeça de chapa. O senador providenciou com uma rapidez digna de quem quer ganhar a eleição.

Mas no rastro de João, como eu disse aqui ontem, veio Vicentinho. E aí começou o movimento dos que não têm tanto compromisso com Marcelo. Opa! Mas enfraquecer Marcelo é fragilizar um grande puxador de votos, o cara que rompeu com Siqueira e marcou a separação das águas para as tradicionais famílias peemedebistas que não querem mudar uma história inteira de oposição ao jeito do ex-governador agir.

Gaguim percebeu a tempo, chamou os rebeldes para uma conversa ao pé do ouvido, pediu que Marcelo relevasse, e selou ontem no Sudeste o clima de paz entre o ex-governador peemedebista e aquele que se tornou seu maior desafeto nos últimos tempos: Osvaldo Reis, padrinho de casamento de Marcelo, e que andava de cara virada para ele desde que o governo acabou. Os outros: Coimbra, Eli, Iderval, que foram para os braços de Ribeiro, não haviam deixado o ex-governador. Ficou claro para bom entendedor dentro da Força que enfraquecer Marcelo, é enfraquecer Gaguim.

Siqueira endurece o discurso, marca as diferenças e segue

Do outro lado do campo de batalha, Siqueira vai bem com seu programa de TV, mantém o discurso conhecido de todos, mas subiu o tom e endureceu as comparações em que questiona os gastos públicos e a honestidade do adversário. Não há nada provado contra Carlos Gaguim (PMDB) que ateste prática de corrupção. Mas é nesta tecla que Siqueira e Kátia Abreu batem insistentemente, no palanque e nas denúncias apresentadas à Procuradoria Eleitoral e à PF.

Visivelmente com dificuldades financeiras, e estrutura mais enxuta que a Força do Povo, desde as contas prestadas nos tribunais, até a visibilidade de seu material nas ruas, o ex-governador segue fazendo a campanha dos obstinados, e é inegável que tem respaldo popular. O assédio em torno dele sempre aos finais dos discursos públicos é prova que o Outono de Siqueira é o momento em que o povo aproveita para reencontrá-lo e demonstrar gratidão. A grande pergunta é qual será a tradução deste sentimento em votos?

Dois gigantes se preparam para não errar

Na verdade, tal como na véspera de uma luta de boxe, duas forças gigantescas se preparam com estratégias de ataque e defesa para em instantes, travarem a luta final. Cada um com seus segredos e seus trunfos, estuda a fragilidade do adversário, e arma os próximos golpes. Quem errar menos, fechará as urnas do dia 3 de outubro, vitorioso. A diferença é que este não é um jogo de apostas, pura e simplesmente. É a vida do Estado, as chances de trabalho, as condições de viver em segurança, o acesso à saúde, e tantas outras coisas práticas que estão na berlinda.

Tudo, mas tudo mesmo, está pendente na ponta dos dedos dos milhares de eleitores tocantinenses que teclarão dois números na hora da grande escolha.

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