Os hospitais que compõem a rede particular e conveniada em Palmas estão deixando a partir de hoje de atender aos milhares de segurados da Unimed/ PlanSaúde, plano contratado pelo governo do Estado para seus servidores e familiares, sejam os concursados ou comissionados que aderiram ao plano. O motivo, segundo ouvi da administradora do Hospital Cristo Rei, o primeiro a cessar internações e procedimentos cirúrgicos, Devanir Couto é a falta de negociação de uma nova tabela.
“Tem dois anos que a gente está tentando fazer um acordo e rever os valores. A gente precisa atualizar a tabela. Estamos usando recursos de outros convênios para cobrir os custos de atendimento do Plan”, contou ela ao Site Roberta Tum na manhã desta quarta-feira, 27. As negociações avançaram de junho até a semana passada, mas não há acordo em torno de uma tabela diferenciada a ser paga pelo PlanSaúde justamente por conta do preço da diária de internação.
Aviso em jornal marca data de parar
O fato dos hospitais terem decidido paralisar seus atendimentos – com datas publicadas em avisos na seção de classificados do Jornal do Tocantins de ontem – tem reflexo direto na vida de milhares de beneficiários da Unimed/PlanSaúde. São grávidas com partos marcados que não serão realizados mais na rede conveniada. Além de todos os demais procedimentos cirúrgicos. O impacto é grande e reflete um cenário de desconfiança no final do governo que se despedirá da gestão pública em dezembro próximo.
A Secad, em nota encaminhada ao Site Roberta Tum há uma semana, quando questionada sobre ameaça de suspensão no atendimento por parte dos profissionais conveniados, garantiu que o pagamento de honorários se encontra em dia. Hoje, quando o horário especial começa a funcionar, com as secretarias fechadas até o meio dia, tivemos a informação de que o governo contratou a Unimed, e sua rede para atender ao PlanSaúde, e até se propôs a pagar aos hospitais um valor diferenciado do que a Unimed paga pelos seus planos. O problema é que todos os itens fecham em acordo, com exceção da diária de internação. Uma nota deve ser encaminhada ao longo do dia explicando a negociação passo a passo.
Sem atendimento, servidor sobrecarregará rede pública
Com a paralisação dos atendimentos do Hospital Cristo Rei prevista para hoje (ainda vão realizar alguns procedimentos que estavam agendados para amanhã, 28); o Centro Ortopédico do IOP programado para fechar seu atendimento amanhã, e o Osvaldo Cruz programado para parar no dia 30, os beneficiários do PlanSaúde ficarão literalmente à mercê do serviço público.
Num cenário em que o HGP já não suporta toda a demanda que recebe do SUS, será um agravante de dimensões nunca vistas na saúde pública da capital. Quem puder, e tiver como bancar as inadiáveis cirurgias e partos, pagará os valores do atendimento destinado a particulares. Quem não puder vai engrossar a fila do Hospital Dona Regina e HGP.
A que ponto chegamos em pleno final de outubro, faltando dois meses ainda para a troca de comando no Palácio Araguaia. Não se trata de apontar culpados, mas de apelar ao bom senso de quem decide. Tudo que a população não precisa é desta sobrecarga num sistema de saúde pela sua natureza já tão deficitário.
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