Instituições fortes devem pairar acima das diferenças

Terminados os dois primeiros meses de governo, num cenário de equilíbrio político e delicada situação administrativa, especialmente depois da retomada do poder no Executivo por um grupo que estava fora da condução política do estado há oito anos, o c...

Em dezembro do ano passado, o Judiciário tocantinense foi abalado por uma crise de credibilidade, diante da magnitude, do impacto e das conseqüências da Operação Maet, deflagrada pela Polícia Federal a mando do STJ.

O final do ano e do antigo governo já era coisa preocupante pelo esvaziamento do poder e dificuldades financeiras. Cancelamento de empenhos, pagamento da folha pelo líquido e um clima de instabilidade na reta final colaboraram para compor o cenário assumido por Siqueira Campos.

Virada a página e com o início do novo governo, outros embates se anunciaram, como a disputa pela presidência da Assembléia Legislativa, e agora a tentativa de alteração na LDO, para aprovação de um outro Orçamento.

Faço este breve retrospecto para falar do clima de instabilidade institucional que se observa no Estado. A tendência de fortalecimento do Executivo é natural no começo de um período de mandato de quatro anos, mas o embate entre poderes não tem nada de salutar.

Digo isto por que há uma tendência generalizada a desmerecer o legislativo, que é perigosa. Aquele argumento perceptível nos discursos, de que a desonestidade impera nas esferas administrativas inferiores, de que o parlamento é palco de negociatas, dá uma sensação de que afinal ninguém, ou quase ninguém é honesto. Pior: de que a lisura, a ética e a moralidade está encastelada no topo da escala de poder de quem governa o estado. E que os outros... bem, os outros são os outros.

É urgente que este tipo de discurso seja deixado de lado. Para o cidadão comum, importa que sua vida ande, caminhe e que os problemas sejam resolvidos. Cada parlamentar tem seu valor, cada segmento do funcionalismo tem seus valores, e é importante que o respeito seja a tônica das relações entre líderes e dirigentes.

Só se alegra com a troca de farpas e o baixo nível dos discursos quem nada tem a perder.

É imperativo que haja serenidade para que gradativamente, o Estado volte ao seu eixo de funcionamento político, administrativo e institucional. E que as instituições estejam sempre acima das pessoas.

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