Mais de 20 pessoas à noite caminhando de Taquaralto à Taquaruçu por falta de ônibus: é o fim da picada, ou falta mais um pouco?

Peço licença para incomodar a todos os leitores de todo o Estado, com um assunto tão específico da capital: o descaso da empresa de transporte urbano com seus usuários, quanto mais distantes eles estiverem do centro da cidade. Semana passada, uma cen...

A concessão de um serviço público, como a exploração de linhas de transporte urbano na capital, é uma faca de dois gumes. Ao mesmo tempo que uma empresa explora linhas onde os ônibus estão sempre lotados, e o fluxo de passageiros é grande, por outro lado, tem que “roer o osso”, atendendo linhas com fluxo menor. Uma coisa acaba compensando a outra e é por isto que este é um negócio disputado em todo País. Especialmente em Palmas, onde não há permissão para que vans coloquem linhas competindo com ônibus coletivos.

Pois bem. O que os moradores de Taquaruçu, distrito distante 32 km do centro da capital estão passando quando se fala em transporte urbano, é de dar o que pensar. As linhas são insuficientes. Os horários de pico – de manhã quando os trabalhadores deixam suas casas e cruzam a cidade para chegar ao Plano Diretor, no fim da tarde quando retornam, e no fim da noite quando os estudantes também precisam voltar para casa – já estão deficitários, esperando atendimento com mais ônibus e mudança nas linhas há muito tempo.

Abaixo assinados mobilizando a comunidade e pedindo ao prefeito Raul Filho que determinasse a mudança e adaptação de linhas que atendessem melhor a comunidade, já foram feitos e repetidamente cobrados, sem solução.

Mas na quarta-feira passada o descaso do Expresso Miracema com seus usuários foi ao limite da irresponsabilidade. Os últimos passageiros da noite tiveram que voltar para casa a pé. E são pelo menos 16 quilômetros de trevo a trevo. Imaginem o grupo de pessoas enfrentando a escuridão da rodovia depois da meia noite para chegar em casa. Um absurdo total e completo.

A história contatada pelos usuários: ficaram esperando que o último ônibus viesse, e ele não veio. Passou da meia noite e ninguém apareceu para dar explicações. Sem outra alternativa e sem encontrar ninguém da empresa para explicar-se, o jeito encontrado por eles foi ir embora. A pé. É o fim da picada, ou falta mais um pouco?

A justificativa da empresa: o último ônibus quebrou e foi substituído por outro. Quando? Nem o porta voz da Miracema sabe dizer a que horas ele chegou no ponto. Alguém foi lá dar satisfações aos passageiros e orientar para que esperassem? Também não.

Outros problemas pelo interior

No final do ano que passou, com a superlotação de ônibus e vans, muitas situações parecidas – veículos quebrados na beira da estrada e passageiros ao léu, seja no sol ou no sereno – chegaram ao conhecimento do Site Roberta Tum, que procurou fazer as matérias e cobrar explicações de empresários.

Na estrada de Taguatinga a Ponte Alta, um dia depois do Natal, uma van da Interpalmas quebrou às 7hs da manhã e ficou na estrada até as 21hs. A empresa não providenciou o transporte dos passageiros. Com o sol a pino, teve gente que ficou mais de dez horas exposto à todo tipo de constrangimento e sofrimento físico mesmo: falta de água, de comida, de assistência. E em Palmas a informação era que o socorro tinha que sair da capital até o local da pane mecânica. Coisa absurda. Que devia ser de outro mundo, mas é do nosso dia a dia.

Resumindo a ópera: está faltando mais respeito ao direto do usuário de ir e vir, pagando por isto. Quem se compromete a prestar um serviço, através de uma concessão pública, tem que se preparar para tanto. As autoridades por outro lado, precisam tomar providências enérgicas. Ou situações como esta vão se repetir.

Fosse um empresário do transporte urbano por 10 horas na estrada debaixo de sol, ou caminhando 16 quilômetros serra acima numa estrada sem iluminação, depois da meia noite e as coisas mudariam depressa. Está na hora de coisas deste tipo deixarem a rotina do trabalhador tocantinense. Aliás, já passou da hora.

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