Cresceram nos últimos dias as especulações em torno de nomes para compor o novo secretariado e também a curiosidade em torno das articulações do quadro de aliados nas duas casas legislativas. É natural que políticos, lideranças e parlamentares discutam o assunto, e mais natural ainda que a imprensa faça matérias a respeito, afinal é este seu papel: buscar antecipar os fatos, e encontrar a notícia onde quer que ela esteja: na fala oficial ou nos rumores de bastidores.
Informações concretas, no entanto, são poucas. Principal interlocutor do governador eleito, Siqueira Campos, para efeitos da transição, o ex-senador Eduardo Siqueira tem se mostrado incansável nos contatos, conversas com principais lideranças que contribuíram para a eleição do novo governador. Não é segredo também que o ex-senador tem recebido telefonemas, visitas e a abordagem dos que querem participar do novo governo e buscam espaço. Por isto mesmo, todos os contatos têm sido guardados a sete chaves, especialmente os que envolvem deputados eleitos.
Com três novos aliados, quadro já é 12 a 12
Conforme apurou o Site Roberta Tum, três deputados eleitos fora da coligação já sinalizaram a intenção de compor com o novo governo. Um era bastante ligado ao governo até aqui, os outros dois pertencem cada um a um partido, e a aproximação de dois dos três começou ainda antes dos votos apurados. No jogo de acomodação de interesses, podem acontecer mudanças também na Câmara Municipal de Palmas, onde uma disputa pela presidência se avizinha. Lá, vereadores que falavam linguagens diferentes até aqui, estiveram juntos durante a campanha no apoio a Siqueira e podem afinar discurso no pós-eleição.
Uma frase que ouvi dia destes de um grande aliado de Siqueira sintetiza bem a situação: “a canoa está vazia, e não tem por que encher demais”. O raciocínio é correto, e simples. Para governar bem, o eleito não precisa de mais do que 16 deputados em sua base, o que corresponde a dois terços da Assembléia Legislativa. Sendo assim, para quê 18? É sabido que quanto mais agregar parlamentares em sua base, mais o governo terá que dividir com eles, prerrogativas que por mérito são de quem literalmente “roeu o osso”, numa campanha dura e de parcos recursos.
O bônus e o ônus de muitas adesões
Do jeito que as coisas vão, o mais provável é que o staff político do novo governador passe a avaliar o ônus de algumas adesões. Aquelas que trazem mais desgaste e problemas entre os “de casa” podem ser sabiamente evitadas. Uma coisa é certa: neste governo, não estão marinheiros de primeira viagem, e a maioria dos personagens que vão compor este quadro já são longamente conhecidos entre si.
Portanto, nada melhor que aguardar o desenrolar dos acontecimentos. Na reunião de secretariado esta semana o governador Carlos Gaguim (PMDB) soltou um desabafo: não vê a hora de entregar o governo ao sucessor. É que governador em fim de mandato tem a caneta e as obrigações, mas pouco a pouco vai perdendo o prestígio. Como sabiamente antecipou um peemedebista na histórica reunião em que o prefeito Valtenis Lino propôs o chapão com Kátia ou Siqueira, a maioria dos tocantinenses “são” governo. Seja qual for o governo. Os eleitos então sabem ser muito pragmáticos quanto a isto.
O estouro da boiada começou. Vamos ver como termina.
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