Da boca para fora, todo político é favor da liberdade de imprensa. Desde que isto não signifique liberdade para criticá-lo, implícita ou explicitamente. Da boca para fora, todo governante prega a necessidade de uma imprensa que fale a verdade. Desde que a verdade lhe favoreça.
Tem sido assim não só no Tocantins, mas no Brasil inteiro. Com uma diferença: nos estados em que a imprensa é mais forte, e já se libertou da ameaça da censura econômica, assim como eleitor já se libertou da dependência do emprego público, a tolerância com as diferenças ficou maior.
Aqui, infelizmente, ainda está difícil para a maioria dos integrantes de nossa classe política enxergar o mundo em mais que duas cores: o preto e o branco. O a favor, e o contra. É quase impossível conviver no meio político, sem escapar do rótulo de ser “ista”, de um lado, ou “ista”, de outro. Parece que para as mentes mais simplistas, fica mais fácil resumir todo o mundo assim.
Descer do muro, que não existe
Nos últimos dias tenho ouvido por aí que é preciso “descer do muro”, ou em português claro: definir de que lado este veículo ficará na cobertura eleitoral deste ano. Seria cômico, se não fosse trágico, receber este tipo de conselho. Primeiro, por que quem tem que definir lado no processo político é partido, e não jornalista, empresa ou veículo.
Segundo, por que percebo - desta vez com satisfação - a dificuldade que muitos têm encontrado para nos rotular nos últimos dias. Numa semana ouço que o Site está muito Siqueirista. Isso por que as manchetes de assuntos relacionados à UT foram maioria, ou estiveram mais presentes.
Na outra semana, ouço dizer que estamos “queimados”, com o ex-governador, por um ou outro artigo mais elogioso ao governo. De um lado e de outro circulam pastinhas com “minhas opiniões” impressas, sempre para servir de “prova” para algum argumento irrefutável de que agora nós alinhamos, deste ou daquele lado. Já dizia Tião Pinheiro - um sobrevivente - na década de 90, a nós, então repórteres do JTO: "quando todo mundo fala mal de você, é um sinal de que o rumo está certo".
A hora da verdade
O fato é que se a hora da verdade para partidos e candidatos vai chegar com a eleição em 3 de outubro, a nossa, como veículo, chega antes. A partir da primeira semana de julho, somem do lado direito da home, os banners de políticos que são candidatos, e as propagandas institucionais do governo.
Pelos longos meses que se avizinham, seremos desafiados a permanecer no ar sem os principais anúncios que mantêm toda a estrutura da redação com seus custos, funcionando. Esta é a verdadeira prova de fogo pela qual todo veículo precisará passar: sobreviver sem se alinhar ao discurso de A, ou de B.
Pretendemos manter este espaço intitulado “Minha Opinião”, vivo, ativo, e verdadeiro durante e depois da campanha política. Não para ferir egos, nem a serviço destes ou daqueles interesses, por mais que esteja aqui o maior foco de ataques ao Site RT por parte dos que se incomodam em ler um discurso divergente do seu.
O desafio é sobreviver
Jornalismo nunca foi uma área de atuação fácil, nem lucrativa para jornalistas. Mas é um desafio que instiga. Crescendo com o Tocantins, vamos levando trancos e sobrevivendo aos barrancos, na tentativa de que o Estado e sua classe política amadureça, e aprenda a conviver com a diferença de pensamento e expressão.
Se não for para manter este espaço, fazendo uma cobertura honesta com todos os lados, e garantindo o direito de expressar uma ou outra opinião na defesa de princípios em que se acredite, não vale a pena.
Uma sociedade só é forte, na medida em que abriga dentro de si a possibilidade da crítica. Uma nação só se consolida como democrática, quando permite que qualquer agente político ou autoridade seja questionada. É assim que é no mundo inteiro. É assim que será aqui também, mais cedo ou mais tarde.
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