Um fenômeno no mínimo interessante está acontecendo nesta pré-campanha no Tocantins. É o sentimento popular arraigado de gratidão à Marcelo e à Siqueira. O que pode parecer contraditório à princípio, já está revelado na radiografia mais confiável que existe: as pesquisas qualitativas de posse dos dois grupo que lideram, por enquanto, esta disputa.
Com o ex-governador Siqueira Campos (PSDB), é fácil notar um sentimento de tentativa de resgate pela população, da sua importância histórica. Estaria eleito ao Senado, sem a menor sombra de dúvidas, afirmam os marqueteiros de lado a lado. Mas vai enfrentar a disputa pelo governo, atualmente, mostrando vantagem nas pesquisas internas de consulta de intenções de votos: os números não podem ser divulgados.
Já com o ex-governador Marcelo Miranda (PMDB), é possível identificar na fala simples da gente do povo, um sentimento de que “foi cassado por ajudar os pobres”. A cassação por unanimidade teve o veredicto de abuso de poder político. Marcelo não foi condenado por abuso do poder econômico, nem por desvio de recursos públicos. E as denúncias que correm contra ele nas diversas esferas, não são conclusivas, ou na linguagem jurídica: nada transitou em julgado.
Diferença entre militância e comunidade
Longe de mim imaginar que a militância do PMDB, ou dos partidos ligados à UT casariam votos escolhendo Siqueira Campos para o governo e Marcelo para o senado. Mas pelo andar da carruagem, o eleitor simples e desapaixonado julgará os dois pelo bem que recebeu ao longo dos anos. Se esta lógica prevalecer, ao fazer as contas finais, ficará fácil perceber a quantidade de eleitores de Siqueira e Marcelo, ao mesmo tempo.
Não tenho dúvidas de que o marketing das duas campanhas vai encaminhá-las ao embate frontal entre os dois ex-governadores. Um perdeu o mandato nas urnas. O outro perdeu na justiça. Nenhum dos dois se considera derrotado, e cada um argumenta sob seu ponto de vista, por que é necessária a sua eleição.
A importância do Bico
O certo, é que as regiões do Estado estão desde já mapeadas eleitoralmente. E num universo em que todas são importantes, o Bico do Papagaio é especial, não só pela quantidade de votos que concentra, mas pelas suas características peculiares. O governador Carlos Gaguim (PMDB) já passou por lá com sua caravana, e pelo que tem dito, quando voltar, as obras estarão bem adiantas, os recursos concedidos e os convênios em andamento.
Contra o tempo e contra o poder da máquina em gerar simpatia, o ex-governador Siqueira Campos corre por lá hoje e amanhã. Já Marcelo, busca segurar em suas palavras, “o que foi plantado”, e retorna à Palmas neste sábado, depois de uma semana de peregrinação atrás das lideranças. Curiosamente, no Bico, mais do que em qualquer outra região, o desencontro e o encontro dos dois no coração do eleitor, é coisa que dá o que pensar.
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