Aparentemente está tudo bem na Câmara Municipal de Palmas quando o assunto é sucessão do presidente Wanderley Barbosa (PSB) que acontece no mês que vem. O prefeito Raul filho (PT) tem a maioria, e além dela o compromisso de fazer presidente seu amigo próximo e companheiro leal Ivory de Lira. Passando por lá ontem, notei algumas diferenças entre aquela Câmara Municipal de primeiro ano de mandato que cobri intensamente em 2009, e a que está prestes a concluir o segundo ano.
As discussões serenaram, e ao que parece cada um se acomodou no seu lugar. O prefeito com a maioria, a oposição sem muito poder de fogo, na minoria. Mas há algo além disto no ar. Aquele amor todo que se via nos discursos e na defesa do prefeito Raul Filho também arrefeceu. Até os aliados torcem o nariz quando se fala em reforma administrativa.
O que era para ser a retomada das rédeas pelo prefeito da sua gestão, o fortalecimento do famoso “grupo do Raul” para alimentar a expectativa de um projeto de poder não parece ter alcançado este efeito.
Corte mexe nos acordos e enfraquece a amizade
A palavra mágica que promoveu a transformação nos ânimos chama-se “corte de pessoal”. É sabido que na engenharia dos acordos feitos pelo prefeito com os vereadores eleitos na sua oposição, estava a indicação da militância dos vereadores em cargos na prefeitura. Com a caneta na mão para promover demissões que somadas às mudanças nas secretarias têm a meta de reduzir os gastos em R$ 7 milhões, Raul avisou os vereadores da capital que cada um vai ter que dar "a sua parte" no sacrifício. Não encontrei ninguém disposto a isto.
A conseqüência da quebra do acordo pode ser sentida em dois momentos: logo ali em dezembro, quando será feita a eleição para a presidência da Casa - prometida a Ivory – e ano que vem, quando o governo do Estado é outro, e a oposição a Raul vira base aliada de Siqueira Campos. É um jogo intrincado de interesses: a capital precisa do Estado, e os vereadores terão sua importância neste meio de campo.
Tudo pode acontecer
Ivory tem a maioria dos votos hoje. E pode até ter a unanimidade deles, segundo o vereador Valdemar Júnior, da oposição, me disse há alguns dias. Se todos comporem com o próximo presidente, todos participarão da divisão do bolo dos cargos da Casa, como era com o ex-presidente Carlos Braga (PMDB), em seu último mandato.
Mas se a caneta de Raul funcionar para por na rua os companheiros dos vereadores, acomodados em seus cargos, distribuídos num acordo político feito lá atrás, a coisa complica. Os aparentemente satisfeitos, podem se insurgir num movimento de mudança do acordo para a presidência.
O combinado não é caro, explicam alguns, para quem se o prefeito quer cortar, deve cortar no seu lote de nomeados. É o pragmatismo dos acordos feitos lá atrás, cobrando seu preço agora. Ou daqui a pouco. É só esperar.
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