Tudo que foi feito pelo deputado José Geraldo (PTB) para manter o compromisso de apoiar o governador Carlos Gaguim (PMDB) à reeleição, terminou com a constatação ontem, sexta-feira, 4, de que as bases do partido querem mesmo é Siqueira e não vão mudar. De novo, só a satisfação de prefeitos, vereadores, e líderes com a condução que o presidente do PTB está dando à situação.
Zé Geraldo já havia deixado claro que “de coração” era Gaguim. Sua formação, seus princípios éticos o impediam de “pegar carona no governo”, e depois retornar ao ninho apenas com a perspectiva de quem aproveitou uma boa oportunidade para fortalecer-se, e aos companheiros, com tudo de positivo em que implica ser governo. Mas o partido não é só ele.
Na sexta, o deputado foi para uma reunião de entendimento entre a comissão constituída na reunião desta semana, e a coordenação de campanha do ex-governador Siqueira Campos, acompanhado de alguns prefeitos. Segundo fontes do Site Roberta Tum, chegando lá, Zé Geraldo foi surpreendido pela dimensão do encontro. Chegou preparado para conversar sobre a condução de uma possível aliança, e foi surpreendido pela presença maciça de prefeitos e lideranças, primeiras damas, todos usando a palavra e com discursos incisivos a favor de Siqueira.
Sem chances de contornar
Não há mais volta. Insatisfeito com o rumo que a carruagem tomou, o secretário de Esportes, Ricardo Abalém negou ontem ao Site RT que esta decisão esteja tomada, e seja irreversível. Queria localizar Zé Geraldo, que saiu da reunião e desligou o celular. Segundo informações levantadas pela nossa equipe, o deputado passa o final de semana numa fazenda, desligado do mundo, conversando com prefeitos e acertando como será feito o ajuste, e a mudança do PTB neste processo eleitoral.
PP já não conversa com a UT
Se José Geraldo acatou a decisão do partido, e trabalha agora para juntar todos em torno do projeto de eleição de deputados, na direção inversa é a UT quem perde um aliado histórico. É notável a diferença entre os dois casos. O PTB já vinha do ninho utista. Na maioria dos municípios, o grupo petebista nunca teve boa convivência com os peemedebistas, especialmente os ligados a Marcelo Miranda.
No caso do PP não. Lázaro e Valderez sempre foram Siqueira. Mas a mudança radical está tão selada, que as principais lideranças que estão empenhadas na eleição do ex-governador já nem falam mais no assunto. É dado como favas contadas que Valderez teve “sua vaidade” atendida, conforme deixou claro uma fonte siqueirista nesta manhã ao Site RT. Por outro lado, Botelho teria encontrado no grupo do governador estrutura material e política para viabilizar sua reeleição à Câmara. Só falta agora, o anúncio oficial de que o acordo está selado.
Como vai acontecer esta transição, é que são elas. Botelho tem garantias da nacional do partido para seguir o rumo que quiser no Estado, e vai usá-las para levar a legenda, com o horário de TV, e todos os líderes que conseguir para apoiar Gaguim.
Até dia 30 tem mais
De um amigo, do staff gaguista ouvi esta frase: “espera que vem mais”, numa clara alusão à expectativa de que antes do dia 30, um verdadeiro arrastão seja feito entre os insatisfeitos que ainda podem apoiar Gaguim. O grupo não está fazendo questão de lideranças com desgaste popular. É o caso do prefeito Abdalla, de Gurupi, que nas contas dos governistas, “fez bem” em ficar do outro lado. Seu apoio na cidade pode atrapalhar, conforme ouvi nesta manhã.
O certo é que no troca-troca de legendas, com seus líderes, potencial de voto e tempo no horário destinado aos partidos na televisão pode ainda não ter terminado. Afinal, estamos ainda na primeira semana de junho. Para o dia 30, data final das convenções, com homologação de nomes, muita coisa ainda pode acontecer. Parafraseando os goianos: “ôh se pode!”
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