Nova guerra fria

O médico e escritor, Arimatéia Macêdo nos traz seu novo artigo, um olhar sobre a guerra fria de antes e sua nova versão, agora com mais países, que no meio de faíscas podem explodir suas bombas a qualquer momento. Confira!...

Enquanto mantinha-se o mundo dividido entre dois blocos político-econômico-militar, onde os países mais influentes eram os Estados Unidos da América (EUA) e União das Repúblicas Socialistas Soviéticas (URSS), o mundo vivia a tão temida “Guerra Fria”.

A “Guerra Fria” teve início logo após o final da 2ª Guerra Mundial a partir do instante em que os EUA e a URSS passaram a disputar a hegemonia política, econômica e militar.

Os dois blocos político-econômico-militar viviam em iminente conflito. Tinham armas suficientes prá exterminar a humanidade. Ninguém ousava atacar primeiro. Apesar de em alguns momentos a guerra ficar por um triz. Mas felizmente isso nunca ocorreu. Isso era a “Guerra Fria” e durou quase 45 anos.

Durante esse tempo as duas potências envolveram-se numa corrida armamentista sem precedentes, espalhando exércitos e armamentos em seus territórios e nos países aliados. Enquanto houvesse um equilíbrio bélico entre as duas potências, a paz estaria garantida. E foi o que aconteceu.

Com o advento do progresso tecnológico nos meios de comunicação no Ocidente (jornal, rádio, televisão, internet, etc.) seria natural que os países capitalistas liderados pelos EUA investissem muito dinheiro em difusão de informação dando um passo adiante na grande briga por mercados, e naturalmente divulgando falsas idéias políticas quanto aos povos dos países do bloco socialista. Começou um desnível ideológico.

Com os investimentos sendo direcionados praticamente para a defesa, a URSS e aliados entraram em dificuldades econômicas. Os EUA e seus aliados aproveitando-se da situação investiram em espionagem, contra-informação, corrupção de políticos, mentiras, etc. e conseguiram colocar em crise o socialismo no final dos anos 80. Em 1989 cai o Muro de Berlim e a Alemanha é reunificada. Conchavos políticos e econômicos são feitos com os EUA pelo então presidente Gorbachev (URSS). O socialismo cambaleou. O capitalismo, aos poucos, iria sendo implantado nos países socialistas.

Com esses eventos findou-se a “Guerra Fria”, pois não fazia mais sentido uma corrida armamentista sem inimigos à vista. E os arsenais nucleares foram para o “arquivo morto”.

Os EUA achando-se o senhor de todos os mundos começaram a abusar da situação. Passaram a não saber administrar sua hegemonia. Começaram a cobiçar as riquezas alheias como fez o Império Romano. Fizeram incursões militares em vários países. Dentre elas a Guerra do Iraque. Com esse posicionamento ideológico os EUA tornaram-se antipáticos no mundo todo.

Outro agravante foi a tão propalada democracia. O tiro democrático dos EUA saiu pela culatra. Países com matrizes energéticas e cadeias produtivas importantes como Brasil, Venezuela, Irã, Bolívia, Argentina, Índia, e outros, elegeram governantes sintonizados com os interesses populares. E que não obedecem a governos externos. Alguns desses países já dominavam a tecnologia nuclear e outros começaram a investir nesse campo como é o caso do Irã. As bombas atômicas saíram da geladeira.

Assim sendo foi iniciada uma nova “Guerra Fria”. Agora com um perigo real, tendo em vista a pulverização da produção de armas nucleares. Antes somente dois detinham o poder. Agora são muitos, e estes estão espalhados pelo mundo. A situação é mais grave do que se imagina. Mas não se resolve com a força. E sim com o diálogo, e bom senso.

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