A imprensa nacional transmitiu há pouco mais de duas semanas, imagens fortes de uma batalha contra o caos que assola a cidade maravilhosa do Rio de Janeiro, a batalha contra o tráfico de drogas e a retomada dos morros cariocas pelo Poder Público. Um dos futuros palcos de dois grandes eventos mundiais, a Copa do Mundo de 2014 e as Olimpíadas de 2016, está em guerra contra os traficantes, e esses, sendo expulsos, à tiros, do Rio. Bom para eles (cariocas), preocupante para nós (demais Estados do Brasil).
No melhor estilo da Blitzkrieg (uma tática de batalha que significa guerra relâmpago, criada e empregada pelos alemães na 2ª Guerra Mundial), as Forças de Segurança Pública do Estado do Rio de Janeiro atuando em parceria na inteligência, logística e operacional com as Forças Armadas, invadiram e tomaram de assalto favelas e morros da Hollywood brasileira, comunidades que estavam dominadas pelos traficantes de drogas e armas, locais conhecidos como complexo do alemão e Vila cruzeiro.
Executando de fato e de dever o que preceitua o art. 144 da CFB (da segurança pública), não mais que obrigação em defender o cidadão de bem, a atuação dessas forças marca um momento histórico, e ao mesmo tempo preocupante para outras sociedades, que de longe, assistem atônitos as imagens de televisão retratando o aparato de guerra em combate aos bandidos armados da cidade do Rio de Janeiro. Detalhe! Esses bandidos, ao serem desalojados de seus habitats, tenderão a procurar outros “paraísos” para sediar e postular suas ações criminosas. Autoridades de outros Estados, abram os olhos! Preparem-se! E o nosso Tocantins também!
Consoante a essa preocupação que gerou o alerta, quem conhece um pouco de estratégia e tática de combate, percebeu pelas imagens de televisão o momento dramático de fuga de dezenas de marginais durante a invasiva policial e militar, em que traficantes armados “vazaram” da comunidade Vila Cruzeiro e deslocaram-se para o complexo do alemão. Na tomada daquelas comunidades cariocas, por um lapso no planejamento e execução da invasão das tropas amigas, os bandidos fugiram desesperadamente morro acima, utilizando estradas e trilhas de terra, em um descampado, onde as emissoras de TV puderam captar detalhes dessa evasão.
O que nos deixa indignados é que não houve uma previsão, no plano de ocupação, para fazer uma linha de contensão no alto daquele local e cercar a rota de fuga daqueles marginais que, em breve, migrarão para outras localidades, e outros Estados. Caso o Governo do Rio mantenha a ofensiva e a ocupação constantemente, o espólio dessa operação para outros Estados será a migração desses traficantes para suas cidades e regiões. Percebam, muitos daqueles traficantes fugiram.
Aquela operação teria, em tese, todas as condições para desencadear o máximo de prisões daqueles traficantes, pois estavam acuados no morro. Segundo estratagemas militares, não é prudente que o combate ou fuga, seja feito morro acima, pois representa desvantagem e estará fadada a derrota. Entenderam a indignação? Então, não era para aquelas dezenas de traficantes armados terem fugido morro acima com tamanha facilidade. É certo que foram desalojados daquele local tomado pelo Estado, e lógico, migrarão para onde puderem executar seus proveitos criminosos. Mais uma vez, alerta geral, pois bandido é organizado e age rápido, “vazam” para outros lugares e infiltram-se na sociedade com total facilidade.
Toda essa pressão que aqueles bandido estão recebendo, aliada a essa fuga, terão suas sobras e reflexos que poderão ser absorvidos pelos Estados que não estiverem preparados para conter e sufocar a marginalidade. Uma vez que o território está dominado, os bandidos irão migrar para outras regiões que estejam com a segurança pública em crise.
Não é questão de utopia e nem paranóia, tampouco causar pânico, mas por prudência, a considerar essas hipóteses, vale alertar os gestores de segurança pública para a necessidade de alocar meios e recursos aliados a um bom planejamento, que venham a ser aplicados como políticas de segurança públicas a satisfazer as necessidades do cidadão.
Conforme atesta a teoria de Maslow, no campo das relações interpessoais, a segurança é a segunda maior necessidade do ser humano, só perde para as necessidades fisiológicas. Em resposta aos ataques dos marginais cariocas, e ao mesmo tempo satisfazer as necessidades de segurança da população, as autoridades do Rio montaram um verdadeiro aparato de guerra. Claro que não estamos em guerra regular, porém, a iniciativa foi correspondente, eu diria que vale tudo, que for legal, em prol da defesa da sociedade. O máximo de investimento, recursos, capacitação, bons planejamentos e ações operacionais contra a investida dos bandidos.
E nessa defesa, em ênfase ao parágrafo acima, fora a adoção de uma estratégia preventiva e imediata para conter a entrada daqueles traficantes em outros Estados, é necessário investir a médio e longo prazo, em atividades de inteligência e operacionais, coordenadas e interagidas entre as forças policiais, bem como o investimento em reaparelhamento do maquinário, melhorias e ampliações na infra-estrutura para os operadores da segurança pública, algo primordial. Alie-se a isso, uma boa política salarial, de carreira e de condições de trabalho condizentes com o fator humano, pois dependerá dele a boa execução das atividades policiais. Mais ainda, a capacitação constate através de bons cursos, somando-se a investimentos em tecnologias nas áreas de equipamentos de inteligência, armamento (letal e não-letal), e no vetor aéreo que é um comprovado multiplicador de potencial ostensivo.
O alerta foi dado e esperamos também a oportunidade para poder contribuir nessa preparação. Na atual situação, a segurança pública passa por dificuldades, mas com um bom planejamento advindo de políticas públicas, aproveitando os perfis profissionais dentro de suas especialidades, é possível reestruturar e melhorar o seu funcionamento.
Preparemos e executemos a contento as ações na segurança pública, em particular no Tocantins, pois tudo que é investido nesse campo, e bem executado, refletirá em qualidade de vida, logo, despertará a atração de investimentos para o Estado que se consagrar seguro. Uma sociedade protegida exerce sua liberdade de fato, sem ter que ser obrigada a trancafiar-se dentro de sua própria casa, enquanto que o bandido vagueia livremente dominando as ruas. O que toda sociedade almeja é poder educar seus filhos num ambiente saudável de paz e tranqüilidade, aliada a um desenvolvimento com segurança. O cidadão quer passear com sua família pelas ruas sem temer o caos da insegurança. Mais uma vez, cabe às autoridades de segurança pública preparar as estratégias para evitar que partes dos marginais dissidentes do combate dos morros cariocas não venham a se instalar em nosso Estado.
Capitão A. N. Amaral – Oficial da Polícia Militar do Tocantins. Piloto Privado de Avião. Especialista em Segurança Pública pelo Centro de Ensino da Polícia Militar da Paraíba/UFPB.
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