Frio demais, cobertor pequeno. A máxima serve para várias situações neste final de governo Carlos Gaguim e traduzida quer dizer: muito a pagar e pouco dinheiro. De grandes empresários - como a Litucera, com mais de R$ 19 milhões a receber, sem previsão de pagamento, e com mais uma folha de pagamento de seus servidores vencendo esta semana - a estagiários com bolsas de R$ 400 reais cada, a situação é a mesma: preocupação e insegurança.
A tragédia vinha sendo anunciada desde o mês de maio, quando ficou nítida a queda de arrecadação, ou frustração de receita, e que os gastos públicos avançavam numa proporção bem maior do que o dinheiro que caia nas contas do governo. Mas era pré-campanha, e o clima de otimismo do governador contagiava sua equipe na expectativa de vencer as eleições.
Faltou o plano B
Pois bem. Parece que faltou plano B, plano C, e plano P, o de “P”agar as contas, em caso de derrota nas urnas, que foi o que aconteceu contrariando todas as melhores projeções do grupo governista. Quem ganha eleição, especialmente em caso de reeleição está tranquilo: pega dinheiro emprestado, ajeita as contas, empurra os restos a pagar para o próximo ano (em que começará novo governo), e bola pra frente!
O caso é que com a derrota nas urnas, o governador se viu com o caixa baixo diante de todos os compromissos a liquidar. O caso da Sejuv, entre tantos, é emblemático por que o secretário de Juventude fez seu planejamento. Sei disto por que o entrevistei várias vezes antes das eleições. O programa de bolsa estágio, por exemplo, tinha orçamento para ser executado até o final do ano. Fiz uma conta por alto aqui e descobri que com menos de R$ 500 mil a dívida estaria liquidada com estes jovens. E o que aconteceu? Orçamento sem financeiro não funciona, e provavelmente usaram o financeiro da Sejuv em outro lugar.
Digo isto por que checando a situação dos 420 estagiários que estão sem receber os meses de agosto, setembro e parte de outubro descobrimos que o processo existe, o orçamento existe, o empenho existe mas... este como outros processos estão lá na Sefaz sem dinheiro para pagar. Ou melhor. Com pouco dinheiro e outras prioridades.
Agora imaginem o que é 420 pessoas sem receber ligando para as redações de sites e jornais pedindo informações. E 420 pessoas na porta do secretário, que mora bem alí em Paraíso, onde é vereador e tem carreira política pela frente. Saia justíssima. Melhor dever um empreiteiro, como o dono da Litucera com seus R$ 19 milhões a receber.
Ainda dá tempo de diminuir o desgaste
O governador Carlos Gaguim é um bom empresário, um homem que sabe administrar e fazer render o dinheiro que entra. Isto está provado no seu sucesso pessoal nos últimos anos, e também na forma como administrou no seu primeiro ano de governo após a eleição indireta. É por isto que não entendo por que situações como esta dos estagiários da Sejuv persistem, incomodando e acentuando um tom de abandono das coisas neste fim de governo.
Em diversos momentos da cobertura que fiz do governador nos meses que antecederam a campanha, e mesmo nela, percebi nele aquele brilho de quem sabe o que quer, e tem competência para conquistar seus objetivos. Não entendo o que aconteceu com aquele Gaguim que vi discursar para um auditório lotado de empresários em Araguaína, e convencer.
Talvez o inesperado resultado das urnas o tenha abatido depois de tudo que aconteceu na reta final da campanha. Mas os empresários, os estagiários, os servidores públicos não podem ser responsabilizados por isto. Por isso vou deixar aqui a sugestão: comece a pagar pelos pequenos governador. Evita aumentar o desgaste. E no mais, cabeça pra cima e bola pra frente. Muita gente ainda acredita na sua capacidade de superar as dificuldades e contornar os problemas.
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