Entrevistei Maria da Penha na manhã em que ela foi recebida pelos vereadores de Palmas para marcar sua segunda passagem pela Capital. Vítima de duas tentativas de assassinato, a primeira delas à tiros, enquanto dormia, Maria da Penha falou da agressão que sofreu por parte do marido, e da luta posterior para que o crime praticado contra ela fosse punido.
Em meio à correria e aos fatos da política tocantinense disputando espaço às vésperas da eleição indireta - a passagem de dona Maria pela Câmara foi dia 7, quarta-feira – o assunto se perdeu em meio às manchetes. Mas vale a pena colocá-lo novamente em discussão. Acompanhe a entrevista:
Site RT – É a primeira vez que a senhora vem à Palmas?
Maria da Penha - É a segunda vez. Estive aqui à convite da Ana Maria Guedes, quando foi realizada a 2ª Conferência Estadual de Políticas Públicas para a Mulher, em 2007. Agora estou de volta à convite da universidade (Ceulp/Ulbra) onde estive agora há pouco fazendo uma palestra.
Site RT – A senhora se tornou um símbolo nacional de combate à violência contra a mulher. A lei que leva o seu nome, melhorou a situação destas mulheres que são diariamente agredidas?
Maria da Penha – Melhorou nos municípios onde ela foi implementada. Falta conscientização, falta informação também para esta mulher, que muitas vezes só tem acesso ao rádio. Precisamos também puxar a Igreja para tratar desta questão.
Site RT – Sua participação nestes eventos, como o do CEulp/Ulbra ajuda nesta conscientização?
Maria da Penha – Sim, entendo que sim. Este convite que recebi foi para falar para uma turma de direito. Daqui há pouco estes alunos vão estar no mercado de trabalho, e é importante que eles tenham esta visão, se abram para uma cultura de paz.
Com os vereadores
Depois de conceder a entrevista, Maria da Penha foi conversar com os vereadores. Lá, deixou seu recado. “Fiquei sabendo pelas minhas companheiras, que a Delegacia da Mulher só funciona até sexta-feira aqui em Palmas. Isso é um crime, é uma agressão institucional à mulher. No final de semana é o momento em que o homem está em casa. Durante a semana ele trabalha. Mas no fim de semana está em casa, está com os amigos, normalmente bebendo, e trazendo problemas para casa”, alertou ela.
A sessão terminou com elogios e a tradicional homenagem da vereadora Divina Márcia (PTN), aos seus convidados.
Mais que as fotos e as lembranças, é importante que o alerta de Maria da Penha fique. E que todos se envolvam nesta luta para que a mulher seja mais respeitada pelos seus companheiros. E quando agredida, que o Estado esteja atento, e a lei possa ser aplicada rapidamente.
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