O olhômetro, as assessorias e os números da PM

Uma das maiores polêmicas entre adeptos de cada coligação que disputa o governo do Estado este ano é a que envolve números. Quantas pessoas havia de fato em cada caminhada? Quantos foram a um comício ou reunião?...

Na cobertura política que já toma conta do noticiário, os números têm sido um elemento importante, motivo de polêmica e cobranças por parte dos apaixonados defensores de cada candidato ou coligação. É que número está sempre ligado à demonstração de força política. Quer ver?

Quantos prefeitos cada candidato ao governo do Estado tem lhe apoiando? Quantos prefeitos tem o senador João Ribeiro? Quantas pessoas estavam na convenção de Siqueira? E quantos cabiam debaixo da estrutura armada para o governador e candidato Gaguim? Chegando ao dia de ontem, quantas pessoas estavam na caminhada, que se tornou um arrastão nas avenida Tocantins em Taquaralto? E quantas realmente foram à JK acompanhar Siqueira e Serra?

Para cada pergunta destas há pelo menos duas respostas: a da assessoria dos candidatos e a da imprensa. Mas quem abastece a imprensa destes números? Afinal, repórter que se preze não faz previsões no chute, ou baseado no “olhômetro”, busca sempre uma fonte oficial.

As fontes oficiais e suas contradições

O problema com as fontes oficiais é que raramente elas não são contestadas pelas assessorias. E eventualmente, entram em contradição entre si. Para os assessores, quando não estimam um número baseado em considerações empíricas, havia sempre uma multidão”no local. Mas não há medida para multidão.

Ontem por exemplo, a PM acompanhou a caminhada/arrastão na Tocantins, e divulgou um número: 10 mil pessoas. Comentaristas críticos ao número divulgado passaram o dia discutindo a quantidade e afirmando que a avenida teria que ser tomada dos dois lados para caber esta quantia de caminhantes.

Durante a tarde na caminhada do presidenciável José Serra uma viatura acompanhava a movimentação do outro lado da avenida, em direção contrária à desenvolvida pela marcha. A ATTM por sua vez, fazia o fechamento do trânsito. Nos cálculos de uma fonte, havia entre 400 e 500 pessoas. No da outra uma média de 2.500 pessoas.

Por mais que os momentos de aferição do público possam ter sido diferentes - antes da chegada de Serra os militantes se dispersaram buscando sombra debaixo do sol quente das três da tarde - a diferença causa ainda mais dúvida sobre os números.

Acima das paixões de cada partidário do seu candidato ou grupo, o que poderá ser publicado com um mínimo de segurança nas nossas coberturas, são informações de fontes com algum tipo de confiabilidade técnica. Independente disto, o único número que fará diferença mesmo, é o que apurará ao final da eleição os votos depositados para cada candidato nas urnas. Estes sim, serão incontestáveis. Mas até lá, demora.

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