O mês de julho está se aproximando e com isso aumentam as expectativas quanto ao início das campanhas para as eleições municipais. A bem da verdade, esse vem sendo um dos assuntos mais comentado em redes sociais, nas rodas de conversas, no papo de salão e até nas reuniões de família. Os políticos estão por toda parte: festividades religiosas, aniversários, casamentos etc. O dia fica pequeno para tantos compromissos.
Falando em compromissos, isto é o que pré-candidatos mais fazem nesse momento, isso porque é impossível sair de algumas reuniões, sem antes, obrigatoriamente ter que firmar muitos acordos. Com algumas exceções, normalmente quem organiza o evento já presume tirar deste a oportunidade de receber alguma garantia do pretenso candidato. Diante da necessidade de firmar tantos acordos para poder tornar possível sua eleição, alguns candidatos buscam desesperadamente suporte financeiro para cumprir os pactos. Há, porém, aqueles que são irredutíveis, recusam fazer acordos escusos e lutam para conquistar o voto através de propostas sérias, e há também os que desistem pelo caminho, depois de constatar essa realidade.
Participando das discussões em Palmas, até então como pré-candidato a vereador, o que hoje não sou mais, eu pude sentir de perto a força dessa pressão. Muitos eleitores querem garantias de benefícios pessoais. Destes, grande parte desejam ter vantagens antes e depois do pleito. Porém as garantias de benefícios coletivos, nosso tão aspirado sonho de cidadania, muitas vezes não são tidas como prioridades. Essa triste realidade desconvence e torna difíceis campanhas fundamentadas apenas em propostas e ideais. Porém, este é modelo de política que trará respeito e atendimento digno a todos.
Saí da disputa antes mesmo dela começar, e comigo trouxe duas importantes lições: quanto maiores forem as exigências de benefícios pessoais exigidas por eleitores, mais caras ficarão as campanhas; e quanto mais caras forem as campanhas, menos benefícios coletivos os candidatos eleitos poderão trazer para nossa sociedade, já tão sofrida pelas práticas de gestões insensíveis e desatentas com a causa pública. Quando, porém, a maioria dos eleitores, se conscientizarem da importância do voto consciente, desprovido de interesses pessoais escusos, o derramamento de dinheiro em campanhas políticas, cuja origem pode ser a máquina pública, será sanado e nossos gestores estarão livres para promoverem desenvolvimento e qualidade de vida para toda a população.
Talvez muitos não saibam, ou preferem ignorar, mas o preço de toda campanha política quem determina é o eleitor, e de forma indireta, no final de tudo, é ele próprio quem paga essa conta. Por esses motivos, acho válido pensarmos nisso com muito carinho, e quando o mês de julho chegar e a campanha de fato começar, possamos pensar no bem comum, abrindo mão de exigências pessoais descabidas. Assim, evitaremos de obrigar nossos representantes a continuarem fazendo compromissos e acordos que hoje serão garantidos, mas que amanhã serão reembolsados a altos custos que serão pagos por todos os cidadãos.
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