O que me faz prosseguir

O jornalista Claudivan Santiago em seu artigo sobre sonhos e persistência. "Continuo sonhando tal qual um menino que almeja ganhar sua primeira bicicleta, ou que não consegue dormir à noite porque sua mãe prometeu comprar-lhe um tênis novo no di...

Ao longo do espinhoso caminho da vida, muitas forças estranhas insistem em nos demover dos nossos sonhos. E elas surgem com um ar de naturalidade tão grande que às vezes quase conseguem nos convencer de que estamos, sim, fazendo escolhas erradas, por estarmos seguindo o caminho do coração, e que isso é algo perigoso, uma terra de areia movediça que pode nos sucumbir ao abismo da derrota a qualquer momento.

Mas não vejo a vida desta maneira. Por incrível que possa parecer, nada tem conseguido apagar de mim os sonhos. Continuo sonhando tal qual um menino que almeja ganhar sua primeira bicicleta, ou que não consegue dormir à noite porque sua mãe prometeu comprar-lhe um tênis novo no dia seguinte. Acredito na força de um sonho. Para mim, o sonho nada mais é do que o chamado impiedoso da nossa verdadeira vocação. Não é para ser ignorado. Não é para ser jogado no lixo das controversas histórias do tipo “isso não dá dinheiro!”, “você precisa por os pés no chão!”, ou coisa similar.

Para continuar vivendo – mas vivendo de verdade, em plenitude -, é preciso antes de tudo não sufocar a voz que ecoa do nosso interior. Muitos profissionais competentes passam a vida contrariados, trabalhando para ganhar dinheiro. Optaram pelo caminho mais curto - o da praticidade, do resultado imediato, da “segurança”, quase sempre seguindo os conselhos dos pais.

Mas há outra classe de profissionais que até sofreram muito, que passaram boa parte da vida sendo taxados de idiotas, mas que alcançaram aquilo que, para reles mortais, seria impossível. Exemplos há de montão. E o que essas pessoas fizeram de tão especial? Nada. Apenas buscaram aquilo que sua alma pedia, insistentemente. Buscaram, prioritariamente, saciar sua sede de existir para, depois, exalar ao mundo aquilo que de melhor possuíam. Desta forma, conseguiram ser geniais sem querer; conseguiram brilhar sem buscar o brilho dos holofotes; conseguiram se sobressair mesmo não querendo se mostrar. Enfim, conseguiram ser felizes.

Hoje, mais do que nunca, nesse mundo atribulado onde as pessoas querem o sucesso a qualquer custo, é fundamental que cada um de nós busque viver e fazer aquilo que mais nos agrada, que mais nos entusiasma, que mais nos realiza. Só assim despertaremos nossa verdadeira vocação e conseguiremos – às vezes até mais cedo que se imagina - o que parecia impossível, inatingível, irreal. É a crença indelével em meus sonhos que me faz prosseguir. Caso contrário, não existiria de fato, apenas seria mais um endinheirado perdido no meio da multidão.

Claudivan Santiago – jornalista, poeta, músico e escritor

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