A oposição ao governo Gaguim ganhou espaço rapidamente na mídia nesta semana que passou. O esperado apoio de João Ribeiro a Siqueira - posição que os deputados e prefeitos do PR já conhecem há semanas – será oficializado nesta segunda-feira, 26. Para dar a dimensão do que representa seu peso político em termos de lideranças levadas ao palanque do tucano, o senador preparou um mega evento.
Depois de retirar sua pré-candidatura ao governo, o senador João Ribeiro tem trabalhado internamente a casa para levar ao palanque do ex-governador o máximo de prefeitos, deputados e lideranças ligadas a ele, que puder conseguir. Os que já eram Siqueira, e passaram como “uma sombra” nos últimos meses dentro do governo, estão tranqüilos.
Difícil tem sido convencer os que se tornaram PR e governo ao mesmo tempo. Estes não querem deixar Gaguim. E os motivos apontados por prefeitos e deputados nos bastidores não se resumem às benesses de ter acesso a convênios e cargos. Alguns já tiveram problemas de relacionamento antes na UT, e não querem voltar a integrar o grupo, por não confiar no tratamento que terão durante e após a eleição.
Mas Ribeiro, como tem dito a amigos “não faz política pelas metades” e dificilmente terá dois candidatos a governador, como querem seus aliados Gaguistas. O peso do senador no palanque, é o da sua rede de conquistar votos: as lideranças que fazem tanta diferença na campanha política no interior do Estado. Conseguindo trazê-las ao evento e para dentro do grupo, terá feito a sua parte, e mostrado parte do seu valor.
O peso de Kátia na pesquisa
A aproximação da senadora Kátia Abreu (DEM) desde o final do ano passado, do grupo do governador Siqueira Campos (PSDB), gradativamente foi passando a impressão ao seu eleitorado de que ela não seria candidata. Kátia, no entanto, nunca disse isto. Poderá dizer nesta segunda-feira, com o argumento de que as pesquisas internas têm indicado um cenário mais favorável ao ex-governador Siqueira Campos.
A questão é que mesmo com o esfriamento em torno do seu nome nos últimos meses, ela ainda pontua muito bem. Segundo informações de bastidores, está no mesmo patamar que o governador Gaguim. Caso se confirme a retirada da sua pré-candidatura, em claro e bom som, este será o maior fato político com potencial de transferência de votos a ser aferido nas próximas semanas.
O peso da bancada federal
Na prática, outro trunfo é trabalhado pela oposição: a bancada federal. Juntos, os deputados do PR (dois), do DEM (um), do PP (um), do PSDB (um) somados ao ex-governador e deputado federal Moisés Avelino, do PMDB – que deu a entrevista mais clara dos últimos meses à TV Jovem Palmas no último sábado – formam uma tropa de choque digna de abalar as estruturas do governo do Estado.
O problema é que é muita gente junta, com aliados diversos no plano nacional. O almoço na casa do senador João Ribeiro neste domingo, 25,vem para selar o pacto de que estes 2/3 de bancada trabalharão juntos para dar garantias de governabilidade aos prefeitos, independente dos recursos estaduais. Além de suas emendas individuais, o grupo teria também o controle das emendas de bancada.
Tenho ouvido que as emendas do senador João Ribeiro já estão empenhadas. As creches cujos recursos alocou já começaram a ser pagas , conforme informação do prefeito Jaime Café, de Lagoa, que já recebeu os recursos da sua.
Ganhando musculatura
Ganhando musculatura há 65 dias das convenções, a oposição, capitaneada pelo ex-governador Siqueira Campos está crescendo em prestígio e mostrando que reúne, atualmente, boas condições para ganhar as eleições. Quem diria que o quadro seria este há seis meses, quando Gaguim foi eleito por 22 deputados, e tinha também a maioria da bancada federal?
Poucos arriscariam este palpite. Como as convenções só acontecerão em dois meses, e depois delas é que a eleição começará de fato a se definir, muita água ainda promete correr por baixo desta ponte. Até lá, muita coisa pode mudar, confirmando ou não o favoritismo deste final de abril.
Com Ribeiro de volta ao seu grupo de origem, mesmo debaixo do guarda-chuva de uma nova aliança, com outras cores, partidos e nome, o quadro de 2006 de certa forma vai se recompondo.
A novidade neste palanque a meu ver, por enquanto, é Kátia Abreu. Ela que fez a diferença ao lado de Marcelo Miranda, pode agora fazer de novo, em campo oposto.
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