Qual é a imagem que o público telespectador, composto por eleitores tocantinenses de todas as classes sociais e níveis de formação tem de Siqueira Campos (PSDB)?
Qual é a imagem que os tocantinenses têm de seu governador, Carlos Henrique Gaguim (PMDB) alçado ao cargo há dez meses por força de uma decisão judicial?
Vou me atrever a tentar responder as duas perguntas, com a percepção de quem faz notícia neste Estado há mais de 19 anos, quase 20. Na imagem consolidada de um, e na falta de conhecimento mais profundo sobre o outro pode estar assentada toda a estratégia de marketing desta campanha. Entendendo aí que o marketing não vai mudar as pessoas, mas realçar seus aspectos positivos, e tentar responder as perguntas que o eleitor tem, que continuam sem resposta. Vamos a elas.
O que muda, e o que não muda após os 80
Siqueira é um homem envelhecido pelo tempo. Amadurecido nas muitas lutas que enfrentou, pessoais e políticas. Um administrador de realizações incontestáveis: liderou o processo definitivo de criação do Estado, ousou criar do nada, uma nova cidade, para ser Capital. Construiu as grandes obras existentes em Palmas. Implantou os primeiros milhares de quilômetros de malha asfáltica que existem no Tocantins. Finalmente, deu vida e luz na política aos maiores nomes que estão ativos no cenário atual.
Sabedor de tudo isto, o eleitor pode se perguntar: por que Siqueira precisa de um novo mandato de governador, cargo que já ocupou três vezes? Dono de tamanha experiência, mas vivendo uma idade avançada, terá ele o vigor necessário para conduzir o governo, ou está buscando retomar o poder para transferi-lo ao filho, Eduardo? Paralelo a todas as conquistas que empreendeu, seu estilo centralizador sempre foi uma marca. Este traço da sua personalidade – responsável por mágoas, desafetos e situações extremas com alguns segmentos - terá mudado?
Talvez sejam estas as perguntas que o Velho Siqueira de tantas lutas terá que ter a habilidade para responder. De sua capacidade de convencer o eleitor de que manteve as inegáveis qualidades, superou as diferenças com os adversários, e será capaz de conduzir o Estado com generosidade e equilíbrio, depende não só o primeiro debate, mas boa parte do sucesso nesta eleição.
Quem é, e o que pode fazer o jovem da camisa vermelha?
Carlos Gaguim é o “Forrest Gump” da política tocantinense. É o cara focado num objetivo, desde a primeira eleição que disputou em Palmas no começo da década de 90 (de cara colocou seu nome para prefeito, e encheu os postes de placas). De olho no objetivo, à moda do personagem do filme americano, Gaguim corre até atingir o seu alvo. Foi assim para vereador, foi assim para deputado, foi assim que chegou à Assembléia Legislativa, e finalmente foi assim que conseguiu estar no lugar certo, na hora certa, bem a tempo de ser governador do mandato tampão, na queda de Marcelo pela cassação do registro do diploma, em setembro do ano passado.
Na coragem, na persistência, na imensa capacidade de trabalho estão suas maiores virtudes. Se observada sua história, o eleitor perceberá que desde os 18 anos, quando ocupou o primeiro “mandato”, como líder sindical, Gaguim sonhava com a política. Disputou eleição pelo PFL quando Tocantins e Goiás eram um só. Sua rápida carreira pública, no legislativo apenas, nunca permitiu que ele fosse conhecido em todo o Estado, e pode estar aí não só seu maior trunfo, mas também seu grande desafio.
A maioria do eleitorado não conhece Carlos Gaguim. Não sabe quem é, nem o que quer o rapaz da camisa vermelha. De um lado isto é bom, por que não traz consigo um currículo maculado. Mas terá ele a competência administrativa para gerir o Estado além do período conquistado na eleição indireta? Todas as ações e iniciativas que tomou nos últimos meses ao pagar indenizações, conceder reajustes, adquirir máquinas, lançar pacotes de obras em sua caravana pelo Estado, não terão sobrecarregado os cofres públicos? O que sonha, o que pretende e qual a capacidade de realizar do jovem governador?
Além das respostas, atitude
O que o eleitor vai observar no debate de hoje e nos próximos embates que virão entre os dois candidatos na TV, no rádio, e nos programas eleitorais, não é apenas as respostas, possivelmente treinadas com excelentes profissionais de marketing. Vai valer muito a atitude que veremos na tela. As reações diante do confronto. Siqueira manterá a calma? Gaguim demonstrará preparo?
Às 10 horas da noite de hoje vamos começar a receber as respostas. Você acompanha a cobertura em tempo real, e escuta o áudio do debate aqui, no Site Roberta Tum. Não perca!
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