Qualquer pessoa, empresário ou não, sabe como é difícil construir uma casa na Capital. Montar um negócio, nem se fala. A prefeitura exige projetos, o Crea fiscaliza, a pessoa tem que retirar o alvará de construção e tal.
E depois de pronta a casa, tem que pedir o tal habite-se para poder entrar na casa que construiu. Se quiser montar uma empresa, precisa, obrigatoriamente, do imóvel ter esse alvará e o habite-se. Sem isso, nem pensar. É multa na certa ou não abre seu negócio.
Pois é. O Shopping Capim Dourado, entretanto, um investimento de R$ 200 milhões, como se anuncia, e que foi aberto esta semana com a presença de governador, prefeito, bispo, donos de veículos de comunicação (de olho legitimamente nos anúncios do shopping e das lojas) e até o papagaio da rapariga do padre, todos emocionados, abriu suas portas sem qualquer um dos documentos listados lá atrás: sem habite-se e sem alvará de construção.
Ninguém pediu, então está tudo bem.
A cidade precisa de shopping? Precisa. A cidade precisa de empregos? Também. E das lojas nacionais que vendem o objeto de consumo de muita gente também. Mas............
Lojas Riachuelo, Marisa, Renner, enfim, todas as lojas ali instaladas, portanto, estão sem o habite-se e alvará de construção. Uma irregularidade do tamanho da importância das lojas de departamento e proporcional ao gasto do empresário Carlos Amastha.
São sete lojas âncoras.
E como se ainda não bastasse, o empresário quer autorização para construir mais dois hotéis ali do lado, a pouco menos de 7,5 metros do córrego Brejo Comprido (e você sabe da exigência de 30 metros dos mananciais). Os projetos estão lá na prefeitura com dificuldade para andar na burocracia porque os próprios técnicos resistem em levar adiante a aberração.
Na raiz de tudo, além da irresponsabilidade do prefeito, a mistura de política com negócio. Desde 2008 o empresário Amastha tenta o alvará. Conseguiu um a fórceps, depois rasgado. Injunções políticas de um vereador do PMDB fizeram a prefeitura conceder outro.
Ocorre que o empresário mudou tudo. Resultado: o shopping ocupa hoje 90% da área útil do terreno, quando deveria utilizar 30% (existe a lei do uso do solo). Ali as gambiarras feitas para levar o esgoto direto do empreendimento para o córrego Brejo Comprido, sem passar pela estação de tratamento, estão às vistas de qualquer um.
Sem falar que o empresário aumentou a área de estacionamento três vezes do previsto para aquela região. No subterrâneo, a questão do lençol freático, nem tchum. É fichinha.
Daí a resistência dos técnicos da Secretaria de Habitação do município. Que não querem mais assinar os documentos. O empresário tem um alvará para mostrar, mas é o anterior antes das modificações. O aprovado pela Secretaria. E não o executado pelos empresários do Shopping que utiliza 90% da área útil do solo e aumentou a área de estacionamento
Já os dois hotéis. Ah, os dois hotéis a menos de oito metros do ribeirão, nem pensar, na visão dos técnicos. Pode entretanto o empresário conseguir mais esta. Por estas e outras o prefeito Raul Filho nos últimos dias que antecederam a inauguração do shopping fez reuniões para discutir o assunto. Mas não agiu como um prefeito deveria.
Afinal, estamos em campanha eleitoral. E Carlos Amastha é tido por onze entre dez políticos como um grande financiador de campanhas eleitorais. E sabe ganhar dinheiro. A Educon está aí, se alguém ainda duvida.
Blog do jornalista Luiz Armando > www.luizarmandocosta.com.br
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