Em reunião aberta à militância e à imprensa o PMDB expôs suas feridas. O partido está dividido entre os que acreditam e querem a candidatura do governador Carlos Gaguim ao governo, e os que acreditam que ele não vencerá as eleições, e portanto, querem buscar aliança com quem se apresenta melhor nas pesquisas. É o caso do ex-governador Siqueira Campos num extremo, da senadora Kátia Abreu mais ao centro, e de Raul à esquerda.
Os deputados estaduais, capitaneados pelo presidente da Assembléia Legislativa Júnior Coimbra, marcaram posição em apoio ao governador. Distoando do discurso dele, vieram falas como a de Osvaldo Reis, principalmente. Enquanto Coimbra pediu para cessar o discurso de Reis em torno de aliança com a oposição, o presidente do partido bateu duro no governo de coalizão, e não escondeu o que pensa: “o PMDB está prejudicado, as lideranças nossas todos os dias enfrentam demissões. É o PMDB que está sofrendo. O governo não é só os deputados”, bradou entre aplausos. Ainda assim, Reis lembrou que ninguém mais que ele defendeu nos últimos meses a idéia de que o PMDB tenha candidatura própria.
Os prefeitos também deram indicativos de insatisfação. Falando antes de Valtenis Lino, o prefeito de Miranorte, Abrão Costa falou do isolamento ao qual os 37 prefeitos peemedebistas estão relegados. “Nós nunca fomos chamados para uma reunião sequer para tratar deste assunto “, disse Abrão, completando: “conversem com o Valtenis, mas ampliem essa discussão com todos nós prefeitos peemedebistas”.
Valtenis não acredita
O prefeito Valtenis Lino, presidente da ATM, foi quem mais expôs os motivos pelos quais não acredita na possibilidade de vitória de uma candidatura de Gaguim. Deixando claro que seguirá a decisão do partido, seja ela qual for, colocou: “não há mais tempo para viabilizar uma candidatura do governador Gaguim. O nosso governador Marcelo foi cassado pelo governo mais perto de você, e a mesma coisa pode acontecer por causa da aços do acelera”, argumentou.
O presidente da ATM, lendo um discurso previamente preparado, sugeriu que o partido analise a possibilidade de discutir alianças citando a senadora Kátia Abreu, e Siqueira Campos como possíveis interlocutores. Valtenis disse que em Brasília esta semana ouviu muitas coisas. E deu como certa a aliança do senador João Ribeiro com PSDB e DEM.
A fala de Valtenis causou incômodo e um começo de vaias surgiu no fundo do auditório, fazendo com que o prefeito pedisse respeito à sua sugestão e “humildade”. Na linha de defesa do governo, falaram ainda José Augusto Pugliese e Ítalo Pagano.
Marcelo aclamado
Sem a presença de Gaguim e mostrando divisão nas idéias e na tendência sobre o que fazer este ano, o PMDB mostrou ser unânime apenas em torno de um nome: Marcelo Miranda. Citado com deferência por todos – com exceção de José Augusto: “Marcelo Miranda não é santo” – o ex-governador foi intensamente aplaudido.
“Minha presença aqui, companheiros, é para dizer que estou vivo e preparado para o embate”, declarou, entre aplausos. O ex-governador lembrou que foi citado judicialmente pelos out doors que divulgou com mensagens de Natal e Ano Novo. Marcelo disse que manteve até aqui o silêncio, mas disse que este tempo agora acabou.
“Nós temos que ciscar pra dentro, e não para fora. Respeito quem conversa do lado de lá. Mas quando eu escuto o nome do ex-governador, me dói, por que ele foi o responsável pela minha saída”, disse Marcelo para um plenário atento.
O ex-governador terminou sua fala bastante aplaudido. A reunião seguiu, e as conversas pelo visto seguirão ainda pelos próximos dias. Mas uma coisa é inegável: faltando três meses para as convenções, o PMDB ainda não decidiu ao certo para onde vai.
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