Com o desafio de crescer para além da região Centro Norte do Estado, o PP dirá mesmo a que veio e qual seu perfil, a partir das eleições de 2012.
Quem conhece medianamente a política do Tocantins sabe que as ligações de amizade entre as famílias Siqueira e Castelo Branco são antigas. O rompimento nas eleições do ano passado, diante da decisão do grupo político do governador em não abrir espaço para o PP na senatoria ou mesmo na vice, chegou a ser considerado coisa passageira, que seria contornada após o retorno de Siqueira ao Araguaia.
Pois bem. Parece que não é bem assim.
Mantendo relações amistosas e cordiais com o governador, o deputado Lázaro Botelho parece decidido a dar contornos mais profissionais (no bom sentido da palavra) e menos provincianos ao PP Regional.
A festa da convenção regional feita em Palmas há alguns dais, deu o tom de quem é ou quem continua sendo “a turma do PP”. Pelo menos na capital, a afinidade está criada mais com a oposição, a partir da tomada do partido do comando do vereador Aurismar Cavalcante(PSDB), para entregá-lo ao empresário Carlos Amashta, que quer ser prefeito.
Conversando um pouco com fontes do PP nos últimos dias, e especialmente na tarde de ontem em Brasília, pude perceber que o foco do partido é ter seu caminho próprio, e fortalecer-se onde ainda não tem representação considerável: no centro e Sul do Tocantins.
E não é só o PP. Conversando com outro deputado federal que já foi aliado do governador em outros tempos, e ficou com Marcelo Miranda na época do rompimento, o discurso se assemelha: já não há mais aquele sistema antigo de controle dos partidos por quem está no Palácio Araguaia. “Antigamente a um comando do governador, tudo mudava nos partidos, e as coisas chegavam prontas para a gente assinar. Agora isso mudou”.
É um caminho sem volta para muitos que viviam outro sistema, em outros tempos.
Ainda que não faça restrições a alianças com quem quer que seja, o PP parece decidido a seguir um projeto próprio de crescimento. E poder sentar-se à mesa em condição de igualdade, à medida que conquistar mais e melhores representantes.
A grande prova de fogo será as escolhas que fará nas eleições de cidades importantes como Palmas e Gurupi, onde já coloca candidaturas próprias, mas sem imposições que impeçam o partido de compor.
Nos primeiros meses de 2012, terá que se posicionar também onde é mais forte: em Araguaína, onde estão afetos e desafetos históricos.
O certo é que organizado, e com foco e objetivos definidos, o PP está de volta ao jogo. E não poderá ser ignorado como uma força política significativa no cenário da disputa que se aproxima ano que vem.
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