Preterido na escolha para o senado, Gomes dá show de grandeza

Muitas repercussões tomaram conta do noticiário político desde que na manhã de ontem, terça-feira, 25, nós da imprensa na web, noticiamos a escolha do deputado Vicente Alves para concorrer ao senado na segunda vaga da chapa da UT. A gritaria dos insa...

Acompanho a história da carreira política de Eduardo Gomes (PSDB) desde que ele era apenas um suplente de vereador, caminhando ao lado do amigo (de nós dois) jornalista Salomão Wenceslau, pelos corredores da Assembléia Legislativa, pedindo notinha sobre suas movimentações no meu jornal (Alô Galera, que circulou de 1999 a 2005). Filho do finado Zé Gomes e de dona Gilda, Eduardo saiu da assessoria do ex-deputado Everaldo Barros para construir seu espaço na política tocantinense.

Ontem, lendo por aí suas declarações de firmeza e lealdade ao seu grupo político - do qual nunca arredou pé, por mais longos que sejam  este anos fora do poder – fiquei impressionada. Mesmo com a voz embargada, triste e eventualmente deixando transparecer a decepção, Eduardo Gomes mostra quem é neste episódio que constará no seu perfil daqui a alguns anos, quando ele chegar à sua próxima vitória. Seja ela no executivo, ou no legislativo. Não só assimilou o golpe, mas devolveu com gentileza: ofereceu sua casa para a coletiva de anúncio da pré-candidatura de Vicentinho.

Caminho aberto

Digo próxima vitória, por que Eduardo superou falhas pessoais, corrigiu erros do passado, e se reconstruiu como político e parlamentar melhor ao longo dos últimos anos. O caminho que vem desenhando na política tocantinense, se mostra aberto aos projetos que abraçar de agora em diante. Ao lado da senadora Kátia Abreu (DEM), ocupa destaque na lista dos mais influentes da política nacional, e é referência de diálogo, articulação e composição entre os grandes líderes do tucanato nacional.

Não nos cabe adentrar o universo de razões que nortearam a escolha feita pela direção da nova coligação que abriga PSDB/DEM/PR e mais nove siglas, embora algumas sejam nítidas e compreensíveis. Exemplo: se Eduardo Siqueira evita incorrer no erro de ser candidato a qualquer cargo, com seu pai encabeçando a chapa (como aconteceu em 2006), por notar a antipatia que causa a familiocracia na política do Estado, que incoerência seria ter Valderez e Lázaro Botelho concorrendo ela a senadora, e ele a deputado federal.

O dilema de Valderez, Freire Jr, e Lélis

Se a posição de João Ribeiro, coordenador de campanha, e sua filha Luana Ribeiro, candidata a deputada estadual gerou tantos constrangimentos e situações desnecessárias em 2006, é compreensível que a prudência recomendasse evitar repetir este tipo de situação. A ida de Valderez ao senado, acabou condicionada de certa forma ao impedimento de Botelho concorrer à reeleição, fato inadmissível para o casal.

Por outro lado, o ex-deputado federal Freire Jr. que pleiteava vaga na senatoria está afastado do cenário político há muitos anos, o que por si só lhe traz dificuldades de reinserção numa candidatura desta envergadura. Sua história e competência são reconhecidas mas, se pesquisado o eleitorado, é provável que a baixa competitividade neste cenário o tenha atrapalhado.

O deputado estadual Marcelo Lélis (PV), figura em crescente ascensão na política tocantinense, também sondado sobre a possibilidade de disputar o Senado, nunca pleiteou esta vaga. O surgimento de seu nome nas consultas espontâneas possibilitou que ele fosse testado na induzida, e com excelentes percentuais. Mas seu projeto sabido é chegar à prefeitura de Palmas, e deputado jamais consideraria a hipótese de desviar seus planos ou usar o senado como trampolim.

Voltando a Gomes

Ao final deste longo raciocínio, vale reconhecer o valor de Vicentinho, primeiro tocantinense “nativo” como ele gosta de dizer, a ocupar espaço numa vaga majoritária. Seu perfil é leve e seu estilo de fazer política priorizando a boa convivência e o companheirismo também é notável. O próprio Vicente confessa que seu projeto era outro, e que nas prévias, apoiava o nome de Gomes para a segunda vaga.

Na confirmação da vaga que não veio para o deputado Eduardo Gomes, o que fica evidente, e é a razão deste artigo, é o jeito com que ele reage ao ver tolhido o sonho e o projeto pelos quais trabalhou nos últimos meses. Com galhardia, com grandeza, provando ser homem de grupo e saber esperar. Sem críticas públicas, sem rompimento, sem acidez, Eduardo Gomes dá um show de grandeza neste fim de maio, que vale a pena registrar.

Por que outros tempos virão, outras águas passarão, e outras eleições serão definidas com a marca dos fatos e escolhas que o momento atual vai deixar.

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