O vídeo é forte, o discurso é duro e provoca as mais variadas reações. Uns sorriem, debocham e retuitam na rede social que é febre no momento. Outros ensaiam uma indignação, seguida do discurso de que todo político é igual, ou no português rasgado que “é tudo farinha do mesmo saco”.
Bem eu estava lá no dia do discurso. Foi aquilo mesmo que Kátia disse, e muito mais.
Aliás, Kátia ganhou a confiança de Marcelistas e peemedebistas quando literalmente foi “pra cima” de Eduardo naquela eleição histórica que estava perdida quando começou e virou no final. Virou por várias razões, e entre elas está o efeito Kátia sobre Eduardo influenciando a virada de Marcelo sobre Siqueira. Óculos e lotes à parte.
Quem vê o texto (no caso o vídeo), nem sempre se lembra do contexto. E qual era mesmo? Ah... os famosos panfletos apócrifos distribuídos atacando Kátia e notinhas plantadas na revista Veja (é, na grande Veja) contra a então deputada federal e candidata a senadora. Revoltada, indignada: essa é a Kátia Abreu que está naquele vídeo que retrata aquele momento daquela eleição.
É errado desencavá-lo agora para desacreditar o que a senadora diz no programa eleitoral ao justificar seu apoio, novamente à Siqueira? Claro que não. Guerra é guerra. E na política, mais que nos campos de batalha, prevalece a lógica de que o fim justifica os meios. Só que a mim, perdoem, não surpreende. Não por ter sido testemunha ocular dessa história, nem por desacreditar na classe política. Mas por um simples, claro e único motivo: quase todo mundo por aqui , que hoje é contra, já foi um pouco Siqueira.
Vamos lembrar?
Nós todos que um dia, já fomos Siqueira
Em 1991, Raul Filho, era Siqueira. Em 1998, Marcelo Miranda era Siqueira. Até 2004, Brito Miranda também era Siqueira. E Gaguim? Gaguim também foi Siqueira. Tenente Célio? Já foi Siqueira. Wanderley Barbosa? Já foi Siqueira. Darci Coelho?...Siqueira!
Nilmar Ruiz? Nasceu Siqueira, deixou Siqueira e agora, queira ou não queira, é Siqueira. Paulo Mourão? Nossa! Já defendeu muito Siqueira. Osvaldo Reis? Já foi Siqueira de carteirinha. Meu amigo César Hallum? também foi Siqueira. Valderez, Lázaro e Marzola até um dia desses, também eram Siqueira...
A lista é extensa e eu poderia ficar horas aqui lembrando nomes que dividiram palanque, prato e cumbuca com o ex-governador Siqueira. Portanto, poucos, bem poucos mesmo, são os que podem atirar pedras sem incorrer em grave hipocrisia. O tempo passa, as pessoas que um dia se desentenderam se reconciliam, e a política segue seu rumo.
O que não dá é para assistir de camarote tanta gente com trave no olho, apontando cisco no alheio. Tudo bem: é campanha e faz parte. Mas tem tanta coisa assim no arquivo que dá até medo.
Tudo passa, tudo passará...
A lição que todos que têm vida pública e atuação na política ainda podem tirar deste episódio é que mais vale ser comedido nas palavras, sempre. Afinal tudo passa, tudo passará.
De minha parte só resta dizer que eu também já fui aos palanques e às urnas com Siqueira, e não me arrependo.
Também já fui para as ruas e para o governo com Marcelo, e não me arrependo.
Hoje eu sou apenas a Roberta. Todos estes mergulhos na paixão e na defesa de bandeiras partidárias fez parte do meu crescimento pessoal e ajudou a construir a cidadã tocantinense e profissional de imprensa que eu sou. Não os renego, e penso que ninguém deveria renegar seu passado, seus vínculos, sua história.
E quem nunca foi Siqueira, que atire a primeira pedra.
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