Tenho ouvido há alguns dias que as contratações temporárias na área de comunicação estão provocando uma insatisfação generalizada. Explico: muitos, mas muitos profissionais que atingiram notório saber em suas áreas de atuação, dentro do universo das diversas funções que a comunicação abriga, não têm formação superior.
É o caso de bons apresentadores de telejornal, produtores, cinegrafistas (que na maioria das vezes são motoristas também), e fotógrafos – cumprindo há anos a função de repórter fotográfico - entre outros profissionais.
No desempenho de funções inerentes a jornalistas, a maioria se fez na prática, carregando uma câmera fotográfica, uma filmadora e aprendendo em cursinhos técnicos a exercer funções que têm o seu valor.
Pois bem, no novo modelo, todos os que estão ficando no governo em secretarias ou na Rede Sat sofrem um achatamento salarial. Os de nível superior (seja lá qual for o curso) terão seus ganhos num só patamar, acima da casa dos dois mil reais. Os de nível médio, independente da função que exerçam, estarão abaixo de novecentos reais, líquido. Não é justo!
Sindicato precisa regularizar e defender categoria toda
Insatisfeitos, bons profissionais no exercícios de sua função, temem se posicionar e perder até o pouco que é oferecido neste momento em que a maioria perdeu mesmo foi o emprego.
Mas há aí uma situação que precisa ser enfrentada e defendida pelos interlocutores da categoria, com o governo. Jornalista passou a ser valorizado com DAS-10, aqueles de R$ 3.600,00 num acordo do Sindicato dos Jornalistas com o governo no governo Marcelo Miranda para chefes de assessorias. Os outros salários oscilavam de R$ 1.800,00 a R$ 2.700,00 dependendo da função. O menor estava acima do piso da categoria (R$ 1.274,00). Foi uma luta, e uma conquista.
Num momento em que a exigência do diploma está suspensa – embora a luta continue na Fenaj e sindicatos para regulamentar novamente a profissão de jornalista – é preciso encarar que estes profissionais sem diploma também pertencem a uma categoria sofrida e que precisa ser absorvida pelos sindicatos. Para que possa fortalecer as entidades e ganhar o direito de ser defendida.
É injusto que profissionais aptos ao exercício de suas funções na comunicação, experimentados e capazes, sejam reduzidos a patamares salariais de nível médio. Está na hora da interlocução com o governo, para criar um nível salarial intermediário entre uns e outros, que signifique pagamento equivalente à função para quem desempenha papel tão importante.
Pela sensibilidade que acredito terem o secretário de Comunicação, Arrhenius Naves e o próprio secretário de Planejamento, Eduardo Siqueira, empresário da área de comunicação durante tantos anos - onde deixou a fama de ser bom patrão com 14º salário, pagamento de faculdade e outras garantias aos funcionários de sua rede – está na hora de rever esta situação. Por uma questão de justiça.
Quem serve para a função, precisa receber salários compatíveis com ela. Independente do diploma. Que aliás, para algumas áreas específicas, nem há curso em oferta no Tocantins.
(Atualizada às 9h22)
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