Depois de mais de 15 dias tentando - conforme fontes do Site Roberta Tum já informavam – ou 30 dias articulando, como disse ontem ao Portal CT, o ex-governador Carlos Gaguim(PMDB) conseguiu em Brasília o que queria: uma procuração para protocolar reclamação postulando a volta dos 15 mil comissionados exonerados pelo governo em janeiro último. Foi desaconselhado em Brasília. Tentaram persuadi-lo a desistir da idéia, mas não adiantou.
É no mínimo curioso. O STF deu prazo até junho próximo para que o governo do Estado, independente do governante, retirasse da folha de pagamento os servidores nomeados em comissão, que exercessem funções que não fossem as de direção e assessoramento.
O prazo limite não está vencido. A forma como o novo governo tomou a medida foi dura. Só que pleitear a volta dos exonerados, duas vezes nomeados contrariando determinação do STF quanto à forma do vincula é uma ação inócua, que só encontra lógica na busca do ex-governador Carlos Gaguim por uma jogada de marketing, um factóide para mantê-lo em evidência.
Dificuldade em viver fora da mídia
Sem bandeira, sem legado e buscando construir um discurso após terminar um governo conquistado na via indireta, Gaguim se recusa a “desencarnar” da investidura do cargo. Já não tem mais poder, deixou o governo cheio de dívidas e com escândalos envolvendo malversação do dinheiro público que estouram todos os dias, mas insiste em se manter “na fita”.
Gastando o que lhe resta de prestígio dentro do PMDB, vai impondo ao partido, aos companheiros e a si próprio constrangimentos sucessivos e desnecessários. Qual a lógica de pedir para voltarem à folha que a justiça já mandou substituir? Quem é que em sã consciência não sabe que este é o tipo de remédio que não cura doença alguma?
A ação pretende atacar as únicas nomeações possíveis ao governante no quadro atual: chefias e assessorias. Isto sem dizer que o prazo para realizar o concurso, está longe de se esgotar.
Olhando a história recente, é de deixar pasmo qualquer cidadão a última tentativa de Carlos Gaguim, de tomar como sua bandeira a defesa dos comissionados.
Quem queria demitir para terceirizar, agora quer recontratar
No período que precedeu as eleições, o então governador operou a tentativa de apressar a decisão da justiça em determinar a substituição dos comissionados para então poder terceirizá-los saindo-se como o salvador da pátria através daquele “negocinho” que renderia um bi através da O.O.Lima. Não deu certo e a coisa toda terminou no escândalo da revelação do relatório do MPE de São Paulo.
Depois, na reta final da campanha, percorreu as secretarias pressionando todos os comissionados a elegerem-no para garantir seus empregos, coisa que sabia não ser possível. À custa do terrorismo de um discurso equivocado lotou a avenida Tocantins em Taquaralto, no último comício, sem conseguir mais reverter o resultado das urnas que se aproximava.
Agora temos de volta o ex-deputado e ex-governador eleito num acidente de percurso, agindo como um mercador de ilusões que pede aos demitidos que “façam uma corrente”, por que “pode dar certo” que a justiça venha determinar seu retorno à folha de pagamento até junho.
É subestimar a inteligência de uns e abusar da fragilidade de outros. É se aproveitar demais de quem vive difíceis dias tentando reconstruir a vida e a carreira profissional na busca por outra colocação no mercado.
Na hora de ser recolher e fazer a necessária reflexão da quarentena obrigatoriamente vivida pelos que deixam o poder, eis que o ex-governador ressurge em busca do papel de herói numa aventura de mau gosto, que brinca com a vida de quem tem mais o que fazer. Lamentável.
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