Se ninguém pedir vistas no processo relatado pela ministra Carmem Lúcia - o que é possível acontecer, segundo ouvi no fim de semana em grupo de gente bem informada – a ADI 4125 pode ser votada na quarta-feira, 2 , determinando a exoneração de mais de 20 mil servidores comissionados em todo Estado.
Não há dúvidas do caos que isto vai causar. Primeiro na vida destas pessoas e suas famílias. Depois, na economia tocantinense, especialmente no comércio que tem grande dependência do poder de compra do funcionalismo.
É fato inegável que o Tocantins recebeu grandes investimentos em geração de energia, e infra-estrutura nos últimos anos. Mas qual o segmento da economia que responde pela maior oferta de empregos?
Foco no poder público
Ainda é o poder público, ao invés das indústrias, das médias e grandes empresas prestadoras de serviço. Até no comércio, as vagas estão condicionadas ao movimento, que está ligado a quem compra, que em sua maioria, são servidores públicos estaduais.
O fato é que duas coisas não mudaram no Tocantins nos últimos 20 anos: a dependência do poder público direta, através de empregos, e indireta através das obras e prestação de serviços que movimentam as vagas na iniciativa privada. Aí reside talvez o maior desafio do próximo governador do Tocantins: promover o desenvolvimento econômico (que trará por conseqüência o social), independente dos recursos diretos do Estado.
O exemplo de Luiz Eduardo Magalhães
Em 2004, ouvindo falar do “boom” de expansão em que se encontrava Luiz Eduardo Magalhães, antigo Mimoso, na Bahia, próximo ao Sudeste tocantinense, fui lá, conferir de perto. Presenciei um movimento extraordinário de instalação de empresas voltadas para a cadeia do agro negócio.
Conversando com o prefeito para uma entrevista especial, perguntei qual era a diferença entre a região dele e a nossa, para justificar aquela verdadeira explosão de interesse, investimentos e geração de riqueza. Ele me disse que duas: a altitude das terras, e a vontade política de fazer desenvolver a região.
Empresário, e um dos homens mais ricos da região, o prefeito de LEM já administrava a cidade com a visão de negócio. E por isto, facilitou a chegada de empresas, fez aprovar através de iniciativa de sua esposa, deputada estadual, pacote de facilidades incluindo redução de impostos e carência para começar a pagar tributos. Enfim: fez tudo que politicamente era possível, para levar a LEM, as empresas e os empregos.
De quem é a culpa?
No Tocantins, com área agricultável, potencial para irrigação, melhores estradas e tudo mais, a coisa não anda. Milhões de reais tem sido investidos nos projetos de irrigação do governo federal, e este dinheiro não vira empregos. Uma série de concursos foram realizados, mas para a contratação de pequeno número de servidores.
Na hora que a bomba ameaça explodir, trazendo em pleno ano eleitoral as conseqüências da falta de uma política responsável na gestão de pessoal, começa a o jogo de “empurra-empurra” para atribuir a culpa da demissão dos mais de 20 mil.
Na minha opinião erraram todos. Quem criou e quem manteve a lei que facultou a contratação de tanta gente sem concurso público. Quem deu a vaga de comissionado para usá-la como moeda de troca num processo eleitoral, e quem se acomodou nela, embora não seja fácil encontrar opções neste Tocantins ainda tão atrasado na oferta de empregos.
Tem faltado articulação nos últimos anos para fazer o discurso virar realidade. O discurso de que o Tocantins cresce, emprega mais, gera riquezas está assentado sob uma base frágil, prestes a se romper. Nesta semana ou nas próximas, vamos todos ter que encarar de frente esta dura realidade.
Mais do que atribuir a culpa é preciso que a classe política trate esta questão com seriedade, e responda com alternativas à sociedade tocantinense. Alternativas sérias, viáveis, que amenizem o drama que será causado, os impactos e as conseqüências destas mais de 20 mil pessoas na rua, à disposição de um mercado de trabalho que não tem a menor condição de acolhê-las.
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