Toda unanimidade é burra, ou: as razões que tornam fundamental existir oposição

Nove entre dez jornalistas da imprensa nacional vaticinaram já há alguns dias, que a eleição presidencial está decidida a favor da candidata do presidente Lula, Dilma Roussef. Mulher, num país que até hoje só foi dirigido por homens, ela caminha para...

Quando Lula abriu o programa eleitoral do PT, entregando seu povo para Dilma cuidar, do Oiapoque ao Chuí começava a história da talvez mais bem feita campanha de marketing eleitoral já feita no Brasil, construída em cima da popularidade de um dos presidentes mais idolatrados pelo povo brasileiro. Lula é um mito, e com sua força está fazendo por onde dar à sua escolhida, o privilégio de vencer a primeira eleição que disputa, e justo à presidência.

A população das classes menos favorecidas viveu dias de recuperação da dignidade nos dois governos recentes tendo à frente Luiz Inácio Lula da Silva. O pobre brasileiro venceu a fome, com a assistência dos programas do governo federal que garantiram o mínimo de comida à mesa. O brasileiro de classe média baixa passou a comprar a crediário, objetos que até algum tempo eram sonho de consumo, inacessível.

Estes dois fatores: comida na mesa, e acesso aos bens de consumo marcaram o governo Lula como um governo do povo, feito para a maioria da população. E quem foi beneficiado por ele não quer correr o risco de que tudo isto acabe. Até aí tudo bem.

O massacre eleitoral, e o papel da oposição

A cada semana, aumenta a diferença que pode fazer de Dilma presidente num só turno das eleições. Diante de tanta unanimidade é preciso acender a luz amarela, que no trânsito significa: atenção. É de fundamental importância para o regime democrático brasileiro que haja oposição. Firme, ponderada, focada na defesa de bens impalpáveis mais essenciais.

Por isso, diante do massacre eleitoral que se avizinha, é importante que quem não concorda com tudo que Lula diz, e com o jeito com que Lula faz tudo, se posicione. Já nem digo mais para disputar uma eleição com a companheira escolhida pelo presidente. Mas para garantir um mínimo de contrapeso, de equilíbrio. Para que amanhã, diante de liberdades ameaçadas, como a da imprensa, de excesso de controle do aparelho partidário sobre a vida do cidadão, haja quem possa levantar a voz e dizer não. Ou pontuar argumentos em contrário.

Que o Brasil viva este momento de êxtase e automática transferência de prestígio sob a forma do voto, se isso faz parte do amadurecimento político do país. Mas que o faça de olhos abertos. Atentos ao contraponto que a oposição crítica e responsável deve fazer. Fará um bem enorme ao futuro dos brasileiros de todos os cantos da federação.

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