A prometida redução no preço da energia elétrica no Tocantins não chegou nos primeiros 30 dias de governo Siqueira Campos(PSDB). Ao invés de reduzir num ato, como era esperado por seus eleitores logo nos primeiros dias de governo, o preço de uma das energias mais caras do País, o governador criou lá no início aqueles comitês que vão discutir a redução disto e daquilo.
Há o argumento de que o governo agiu com prudência ao chegar e encontrar o Estado endividado e coisa e tal. Mas o eleitor não se convence com isto. Administrador experiente de tantos mandatos o governador Siqueira Campos, assim como sua equipe, sabe que só tem um jeito de chegar baixando o preço da luz: baixando o imposto que pertence ao governo sobre esta cobrança. E nisto, pelo menos por hora, demonstra não querer mexer.
Baixar combustível também não é fácil
A questão dos combustíveis é mais complexa e eu já alertava aqui, ainda durante a campanha, que provar existência de cartel é uma operação complexa, que envolve investigação policial, conjunta com Ministério Público, com a ajuda do judiciário. Se não for assim - com quebra de todos os sigilos - como provar que o preço é combinado para evitar prejuízos a uns, frustrando a livre concorrência.
No Procon anos atrás convivi com o problema e sei bem como é. O preço sai da Petrobrás quase igual para todos. Outras distribuidoras conseguem oferecer o produto a um menor custo driblando pagamento de impostos. Daí uma rede de interesses econômicos vai se formando. Em Palmas e em algumas cidades do interior do Estado, o consumidor é vítima da situação.
Se quiser mudar isso rápido, além de combater qualquer frustração da concorrência pelas vias legais, o Estado também vai precisar mexer no seu bolo, para poupar o bolso do eleitor que espera – podem ter certeza – o cumprimento das promessas.
Farinha pouca...
O problema é que o fornecimento de energia e revenda combustíveis são itens que estão na base da arrecadação do Estado. Mexer nisto, em qualquer proporção percentual, representa muito, mas muito dinheiro mesmo no bolo da arrecadação do Estado. Por isto a demora até aqui em cumprir o prometido.
Em tempos duros em que a economia está desaquecida no pós-demissões, vale o ditado popular: “farinha pouca, meu pirão primeiro”. Neste começo de fevereiro, quando os servidores exonerados ainda recebem proporcional de férias e saldo de dias trabalhados, ainda haverá um fôlego para o pagamento de contas básicas. A partir do mês que vem e pelos próximos, a coisa complica e os efeitos vão ficar mais tangíveis. Por isso a pressa em movimentar obras que o governo começa a demonstrar.
Além dela, vai ter que começar a abrir a torneira do pagamento a prestadores de serviço. As grandes empresas, com as contas no pescoço e dívidas a receber do estado, já começam também a demitir. Ao fechar de um lado a sangria de recursos, o governo terá que injetar recursos na economia de outro e assim ganhar o tempo necessário ao cumprimento de suas promessas.
O eleitor tocantinense é pacífico, otimista e confiante por natureza. Não vendo a crise bater à sua porta,com certeza resiste e espera.
Comentários (0)