Após cobrança do MPTO, Semus abre edital para comprar remédios dos Caps

Secretaria de Saúde de Palmas informou ao T1 Notícias que publicação ocorre nos próximos dias. Ação emergencial do Ministério Público apontou que antipsicóticos essenciais para crianças estão zerados

Crédito: Divulgação/Secom Palmas

A Secretaria Municipal de Saúde (Semus) informou ao T1 Notícias que assinou nesta sexta-feira, 12, o edital de licitação para a compra de medicamentos destinados aos Centros de Atenção Psicossocial (Caps), incluindo o Caps Infantojuvenil (Capsi). Segundo a gestão municipal, a publicação do edital ocorrerá nos próximos dias e os estoques serão regularizados o mais rápido possível.

 

O anúncio da Semus ocorre após o Ministério Público do Tocantins (MPTO) acionar a Justiça, na quarta-feira, 10, para requerer providências emergenciais contra o desabastecimento da unidade infantojuvenil. Na petição, a 27ª Promotoria de Justiça da Capital classificou a situação como “preocupante” pelo risco de interrupção no tratamento de crianças e adolescentes.

 

Estoques zerados e críticos

A falta de insumos foi comprovada por um relatório da própria Secretaria Municipal de Saúde, datado de 26 de maio. O documento apontou que dois antipsicóticos essenciais estavam com estoque zerado: a quetiapina 25mg (com consumo médio mensal de 593 unidades) e a risperidona 1mg (consumo médio de 490 unidades por mês).

 

Outros remédios apresentaram níveis críticos de armazenamento, como:

 

- Citalopram 20mg: 30 unidades em estoque para um consumo médio mensal de 82 unidades.

- Sertralina 50mg: 1,2 mil unidades em estoque, volume abaixo do limite de segurança de 4,2 mil unidades.

 

Pedido de responsabilização e bloqueio de verbas

Na petição judicial, a promotora de Justiça Araína Cesárea apontou que a administração municipal vem descumprindo decisões anteriores que determinavam a compra dos remédios, inclusive por meio de "aquisição direta", modalidade emergencial sem trâmites burocráticos.

 

O MPTO requereu a notificação da secretária de Saúde de Palmas para que comprove, no prazo de dez dias, o recebimento dos medicamentos. Caso o desabastecimento persista, a Promotoria defende que a gestora responda por crime de desobediência na esfera penal e por ato de improbidade administrativa na esfera cível. O órgão também solicitou o bloqueio imediato de verbas das contas municipais em valor suficiente para custear o estoque do Capsi por 120 dias.

 

Histórico da unidade

O Capsi de Palmas foi implantado por meio de uma ação judicial proposta em 2024 pela 27ª Promotoria de Justiça da Capital. Após um acordo que resultou na construção da estrutura, o Ministério Público seguiu acompanhando o início das atividades e a composição da equipe profissional, mantendo agora o monitoramento sobre a regularidade do tratamento psicossocial infantojuvenil e a oferta de medicamentos psiquiátricos essenciais.

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