Das salas de aula ao Palácio Araguaia: Psol aposta em Witer Naves para Governo

Com forte identidade marxista, pré-candidato se posiciona como a "única via de esquerda" para romper com a hegemonia da direita no estado 

Crédito: Divulgação/T1 Notícias

“A gente nunca sai o mesmo após uma eleição a governador do Estado”, disse Witer em entrevista ao T1 Notícias na noite desta quinta-feira, 14 de maio. Foi assim começou a conversa com o pré-candidato ao Governo do Estado, Witer Fonseca Naves, que teve sua trajetória na política construída desde 1989 no Partido dos Trabalhadores, recém-desfiliado do PT, para disputar o executivo tocantinense pelo Psol na federação Psol/Rede.

 

"A minha candidatura é para tentar dar sentido a um caminho diferente na política. Não se faz um novo caminho com os mesmos personagens. O velho representa essa direita: cinco personagens com caras diferentes, mas perspectivas iguais", se posicionando como o contraponto direto ao atual cenário em disputa entre os governistas e a oposição.

 

Um novo modelo econômico para o Tocantins: além do agronegócio

Questionado sobre as propostas para o desenvolvimento do Tocantins a partir da esquerda, Witer mirou na atual política ambiental e econômica do estado, criticando a forte dependência do agronegócio e a inserção total do território no Matopiba (última fronteira agrícola que abrange Maranhão, Tocantins, Piauí e Bahia). Segundo ele, a gestão atual “pavimenta um processo de devastação ambiental", que reduz o Tocantins ao papel do "Brasil Colônia, ao mero exportador de commodities”.

 

Como alternativa, o psolista defende o potencial da centralidade geográfica do estado para constituir no Tocantins um polo industrial e logístico multimodal, desenvolvendo outras potencialidades da região. O plano de governo se compromete em focar no equilíbrio entre o capital e o trabalho, com apelo à redistribuição de renda no Estado e ampliação do acesso a direitos sociais que são parte de políticas do Governo Federal.

 

Witer apontou ainda outro desafio nessa pré-campanha: a consolidação da unidade entre as esquerdas no estado. A estratégia eleitoral do psolista passa necessariamente pela reconstrução da identidade da esquerda tocantinense. Ao se reivindicar como "o único candidato de esquerda" no pleito, ele trouxe figuras históricas do estado, como Hamilton Pereira – Pedro Tierra, poeta e político portuense, liderança fundamental na construção da esquerda nacionalmente, para tentar costurar uma frente das esquerdas para o palanque de Lula em 2026.

 

"Somos capazes de criar os fios invisíveis entre nós, ser a flâmula da esquerda, aquela pequena bandeirinha que você carrega à frente para trazer todos aqueles que lutam", poetizou o candidato, afirmando que sua postulação serve para acolher os que clamam por uma "esquerda viva, latente e feliz". A viabilidade do projeto é endossada internamente. De acordo com Fábio Ribeiro, pré-candidato ao Senado, a Federação partidária já consolidou o consenso em torno do nome de Witer. "Precisamos ter um nome que unifique, motive e inspire. Queremos organizar um nome que tenha história para essa disputa", concluiu Ribeiro, sinalizando que a militância interna já está mobilizada para a exaustiva campanha que se avizinha.

 

Perfil

Geógrafo de formação pela PUC-GO, com mestrado em Geografia Eleitoral pela UFT e doutorado em Produção do Espaço Urbano de Palmas pela UFG, o professor, como é popularmente conhecido, atua há 32 anos na educação básica, lecionando no ensino médio e em cursinhos preparatórios para o Enem e vestibulares, além de atuar há mais dez anos no ensino superior. Entre 2005 e 2009, durante a gestão do PT no Paço Municipal, Witer Naves foi gestor público na Secretaria de Desenvolvimento Urbano e Habitação de Palmas.

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